Há algumas semanas a esta parte que o sueco Dennis Lundkvist, dissimulado sob o pseudónimo de Tkačuk, e a sua “Final Curtin” se têm encrostado nos aparelhos sonoros de eleição de alguns de nós. E não é difícil perceber a razão de tantas voltas circulares, ininterruptas e persistentes. São teclas delicadas e meticulosas, são sintetizadores subtis que se transfiguram e se debatem num duelo obstinado de sonoridades nocturnas, mas nem por isso negras, é todo um pano de fundo que escorre sons líquidos e húmidos que infligem partículas de ornamentos místicos, secretos e inconfessáveis nas atmosferas expansivas de “Final Curtin”. A voz de Tkačuk, alternadamente robotorizada e orgânica, viaja pelas vibrações magnéticas da partitura do tema numa combinação de ressonâncias que num encantamento inocentemente diabólico que nos leva pela mão rumo a paisagens desconhecidas.

Retirado do EP Borders & Land editado no passado dia 19 de Fevereiro e que, conjuntamente com outros 2 temas originais, contém também remisturas do tema-título, “Final Curtain” assinala um afastamento em relação à pop experimental do seu EP anterior Dark/Light, uma justaposição de ambiências luminosas e negras, e toma as rédeas de uma sonoridade mais suave e adulta. Tkačuk casa indie, pop e electrónica de forma exemplar. E é com enorme expectativa que esperamos a chegada de um longa-duração.

rosana rocha sig

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