Tori Amos está de volta e, assim como grande parte dos seus colegas da indústria musical, a norte-americana resgata a sua veia política através da arte. Não que ela estivesse muito afastada dessa faceta no seu trabalho, uma vez que comentários sociais estão quase fundidos à discografia da cantora e compositora. Mas em “Up the Creek”, Amos chega com o auxílio da filha, Tash Hawley, e a canção parece ganhar um sentido muito mais íntimo e pessoal à medida que ambas alternam as suas vozes na canção

A música é a segunda amostra do álbum Native Invader, o seu 15º longa-duração de inéditos e o primeiro desde Unrepetant Geraldines de 2014. O título da faixa rende a repetição incansável e resiliente do refrão: “Good lord willin’ and the creek don’t rise”, um ditado repetido pelo seu avô de origem indígena e que ajuda a potencializar o tom comprometido com essa causa desta nova fase. Mas, ao contrário da anterior “Cloud Riders” – canção que também integra o seu novo álbum -, não há muito espaço para violas acústicas e acomodações em “Up the Creek”. Acompanhada por uma base ora orquestral ora eletrónica com guitarras angustiantes, a cantora incita uma preocupação político-climática ao longo da canção e atenta para um momento atual de combate.

A participação de Tash, com quem Tori já havia colaborado em “Promise” no anterior longa-duração, aumenta o sentido de sororidade na faixa, já expresso em outras referências místicas e típicas de Tori. Há a invocação de Gaia, divindade da Terra e mãe de toda a vida na mitologia grega, e o chamado pelas suas Irmãs do Deserto e Cowboys Espaciais, todos unidos em nome do meio ambiente. As vozes de ambas acabam por criar uma atmosfera envolvente e etérea, quase irresistível. Native Invader chega às lojas e plataformas de streaming a partir do próximo dia 8 de setembro.