Trash Kit - Confidence
75%Overall Score

O que querem de nós as Trash Kit? Aparentemente, nada! Mas como não somos de aparências, mergulhámos a fundo em Confidence, o segundo long play do trio londrino, que já tinha deixado perplexos alguns ouvintes mais atentos com a edição do primeiro álbum, o surpreendente e homónimo Trash Kit de 2010. Quatro anos depois, a editora Upset The Rhythm voltou a lançar Rachel Aggs, Ros Murray e Rachel Horwood às feras e o resultado viu a luz do dia no final do ano passado.

Confidence é, como o nome indica, um banho de auto-estima, confiança a rodo em temas pós punk que podem à primeira parecer minimalistas, mas não se resiste a ouvir uma segunda e uma terceira vez só para se perceber o que é que acabou de se passar ali. Em apenas 29 minutos, as londrinas mostram-nos o quanto cresceram musicalmente e como amadureceram o seu som desde a estreia. Já não é só caos nestes 11 temas com pouco mais de dois minutos cada, mas quando os temas vão descambar para algo imprevisível, as meninas deixam-nos suspensos. O pós punk fica-lhes tão bem e elas sabem disso. Desde a sua formação em 2009 que as raparigas de Londres correm os mais inesperados bares da capital inglesa de fio a pavio, ganharam experiência de palco e Confidence é uma espécie de concerto em estúdio. Nada do que ali se passa em 29 minutos será muito diferente em cima do palco… e as miúdas mostram que ao vivo é que é!

Confidence abre as hostilidades com “Beach Babe”, um cheiro a Verão, um whisper for the summer que nunca mais vem, mas que as londrinas evocam com insistência. “Medicine”, o segundo tema, é uma boa dose com sério risco de efeitos secundários, sobretudo o de perceber que elas cresceram e têm um som amadurecido, pensado, mas não deixam de apelar à calamidade e ao sobressalto. “Big Feeling” é a confirmação de que já nada ali se faz ao acaso, mas fazer soar a coisa a improviso e não é para qualquer um. “Skin And Phone” é para não parar de mexer a cabeça e nos deixarmos ir ao ritmo dos acordes, e “Hair” não é definitivamente um bad hair day. “Leaves” parece quase um momento introspectivo de tão lento que começa, para depois desaguar no frenesim do costume. “Boredom” é tudo menos entediante, é uma autêntica montanha com um final que nenhum grunger desdenharia, e em “Cinema” a loucura continua até ao assanhado “Cheshire Cat”. “Teeth” é Confidence elevado ao extremo, uma prova irrefutável de que as Trash Kit estão prontas para outros palcos, e “Shyness” é só para enganar, porque a timidez das londrinas já era e aqui estão elas a demonstrá-lo.

Temos miúdas! Temos álbum! E as miúdas vão fazer estragos… dos grandes!