Já menos de uma semana nos separa da 6ª edição de mais um ZigurFest. A edição de 2016 ocorre a 1, 2 e 3 de setembro em Lamego e vem, mais uma vez, conjuntamente com o Teatro Ribeiro Conceição e a Câmara Municipal de Lamego, oferecer um fim de semana prolongado de contacto com a paisagem e com a cidade, incentivando a abertura musical através dos seus palcos espalhados pelas ruas.

A missão do festival passa precisamente pela dinamização da nortenha cidade, vindo facilitar o acesso à cultura musical num sítio cujos desafios estruturais e geográficos poderão à primeira vista dificultar esta tarefa. António Silva, membro da Comunicação da organização do festival e veterano neste projecto ZigurFest destaca, contudo, a vontade da autarquia em se desviar  deste caminho:

Estamos numa região do país que, por norma, dedica pouca atenção à actividade cultural, mas em Lamego a Câmara tem feito tudo para contrariar essa tendência.

A acção do TRC juntamente com a da Câmara tem não só permitido a manutenção do ZigurFest ao longo dos seus cinco anos de existência como o seu progressivo crescimento, atraindo conselhos vizinhos como Régua, Vila Real e Viseu, dinamizando assim a região circundante e expandindo o espectro, dando-a a conhecer a visitantes vindos de Coimbra, Braga ou Lisboa.

Existem dois pontos de foque quando falamos da entidade do ZigurFest enquanto festival de música em actividade: o primeiro passa pela produção musical nacional e o segundo pela vontade de inserir o funcionamento do festival da maneira mais harmónica possível com a vida diária de Lamego. Assim, não só há uma óbvia atenção em oferecer uma montra caseira aos próprios artistas da netlabel ZigurArtists (dos quais se incluem, este ano, projectos como Dragão Inkomodo ou Burgueses Famintos) como em trazer propostas que se insiram na mesma sede de transgressão e risco, independentemente da proveniência ou do conceito (como os nortenhos 800 Gondomar e as lisboetas jam sessions Desterronics).

Não diria que existe uma lista de critérios propriamente definida para escolher bandas. Procuramos sempre coisas novas, frescas, que não sejam óbvias, nem encaixem num estilo”,

refere António.

Desta forma, é à luz de nomes mais sonantes como os Pop Dell’ Arte este ano, que estes grupos vão aparecer, não para se ofuscarem como aperitivo, mas sim para se inserirem num contexto de completa igualdade e poderem brilhar por si e através daquilo que têm para oferecer de novo. António reconhece este esforço e intenção:

Claro que há bandas mais sonantes que outras, mas olhamos para todas as bandas e todos os concertos com o mesmo nível de importância e procuramos construir o alinhamento de acordo com esse pensamento. Há momentos irrepetíveis em todos os concertos.

Para além de não existirem sobreposições, o programa de palcos também é estreitamente organizado para viver com Lamego, permitindo que quem venha nos dias do festival tenha, para além de espectáculos, uma chance inadulterada de vir conhecer umas das regiões mais férteis de Portugal. Nesse sentido, por exemplo, não existe um recinto fechado, o que convida o festival a mergir-se com as festas da cidade.

Grande parte do festival decorre na Rua da Olaria (com concertos gratuitos) para que locais e turistas possam participar.  Ao fazermos o festival durante as festas da cidade e não tendo um recinto tradicional, há sempre tempo para visitar e conhecer a cidade sem atropelos,

apela António como um dos destaques mais vívidos daquilo que é experimentar algo como o ZigurFest. Entretanto, os palcos, adaptados às circunstâncias geográficas da cidade e ao género tocado por cada banda procurarão, precisamente, para além de divertir, servir à cidade:

No mesmo sentido, não contamos com patrocínios nem apoios de marcas, para que os comerciantes locais possam também usufruir do aumento de circulação de pessoas durante os dias do ZigurFest.

Desde a sua incepção em 2011 que a iniciativa do ZigurFest surgiu bem recebida e incentivada por população, autarcas e comerciantes em igual, crescendo de passo a passo em escala e motivação. A receita dada pela Zigur é “diversidade, eclectismo e uma dose saudável de risco” que vai possibilitar que o evento, até mais importante que desenvolver um pólo conhecido como Lamego, possa mobilizar vários pontos da região ao mesmo tempo que mantém um critério coerente que lhe permite uma escolha personalizada e rigorosa da programação. De resto, a intenção passa por aproximar, dar a conhecer e incitar à descoberta através de uma plataforma acessível e abrangente como é a deste festival, aberta a todos e fechada a nada:

Há uma lógica de proximidade entre público e artistas da qual temos muito orgulho e que temos a certeza que nasce de um certo espírito e dimensão familiar que o festival tem. Afinal, nós estamos em casa e queremos que quem venha também se sinta em casa.

O ZigurFest ocorre de quinta a sábado, em Lamego.