Inspirado em Rear Window, o clássico de 1954 do mestre Alfred Hitchcock, e no trabalho do pintor Edward Hopper, o realizador norte-americano Jason Allen Lee desenvolve um exercício visual sobre a privacidade e o constante estado de observação e monitorização a que as sociedades modernas – e (aparentemente) desenvolvidas -, estão sujeitas.

Através das janelas metafóricas assentes na obra de dois vultos da cultura norte-americana do século XX, Allen Lee reflecte sobre a tecnologia manipulativa dos telemóveis e dos computadores. As janelas do vídeo que realiza são as mesmas dos gadgets que nos colocam num voyeurismo em forma de inception passiva: estamos sempre a olhar para o que antes era privacidade, sempre em constante estado de observação do outro, de forma distante e não presente, ao mesmo tempo que somos observados da mesma forma por outros olhares distantes e não presentes.

Inserido na série Dark Web da revista Nowness que reflecte sobre o lado menos glamoroso do uso da internet, Windows conta com música de Anders Trentemøller. Sobre o conceito o realizador diz que:

There’s something very cinematic about windows, where the eye is drawn to them in a sea of dark building façades. An open window becomes an invitation to look inside—but who is watching? In the digital world, our private lives are being shared with others, and it’s not always being shared voluntarily.

Trentemøller editou Fixion, o último álbum de originais já em 2016, do qual fazia parte as colaborações com Jehnny Beth das Savages: “Complicated” e “River In Me“.

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