Mais uma vez se cumpriu a tradição de levar os media até ao Meco para uma visita guiada pela Herdade do Cabeço da Flauta, espaço onde, há 5 anos, se materializam as edições do Super Bock Super Rock, seguida de uma conferência de imprensa na praia do Meco. Quatro entusiasmados protagonistas, Luis Montez e Jwana Godinho da Música no Coração, acompanhados de Miguel Araújo da Super Bock e o Presidente da Câmara de Sesimbra Augusto Pólvora, contaram as novidades que o Festival reserva na sua 20ª Edição.

Pairando rapidamente pelas novidades no recinto, quer a nível de infra-estruturas, quer a nível de projectos paralelos e parcerias e, focando na música que é o que nos interessa verdadeiramente, avançamos que os festivaleiros pais de família podem, este ano, levar os seus rebentos em segurança para o recinto, deixando-os ao cuidado de técnicas da Santa Casa que, farão o babysitting especializado. Segundo Luis Montez, quem participou da primeira edição há 20 anos já deve estar na casa dos 40 e com filhos e, não querendo deixar ninguém de fora dos festejos, oferece este serviço.

Um festival verde é uma aspiração da Música no Coração e da Super Bock que mantém a parceria com a Quercus e, este ano, com a Sociedade Ponto Verde. O objectivo é conseguir que o Meco, Sol e Rock&Roll seja um Festival Carbono 0, com emissões de CO2 reduzidas. E um evento de certificação 3R6 através da sensibilização de festivaleiros, patrocinadores, parceiros e concessionários para a reciclagem de resíduos. A Super Bock mantém a iniciativa do ano passado do Super Cooler, onde os festivaleiros acampados podem deixar as suas bebidas e outros alimentos, cuja entrada no cooler é facilitada pela organização para garantir que estejam sempre geladas e oferecer um maior conforto a quem por lá fica vários dias.

A marca está determinada em destacar a qualidade e o culto da cerveja e, este ano, reforça a experiência cervejeira. Sob o mote no Super Bock Super Rock a cerveja sai perfeita, proporcionará aos festivaleiros várias iniciativas: desvendar segredos de produção e ensinar os festivaleiros a tirar a cerveja perfeita são algumas delas. Com um bar central ampliado e inovador, a Super Bock também apostou na formação dos empregados dos bares do recinto.

No âmbito da música, há muito que falar. A booker internacional da Música no Coração, Jwana Godinho, passeou pelo cartaz com entusiasmo, como não podia deixar de ser mas, o Rock&Roll que o título promete oferecer espelha-se com mais facilidade pelos nomes secundários do que pelos cabeças de cartaz. Nomes como Eddie Vedder e Massive Attack são queridos dos portugueses e são apostas ganhas. Tal como Erland Oye, Eddie Vedder tem avença emocional com os portugueses, o que lhe permite ser sempre cabeça de cartaz nos mais variadíssimos festivais. Não obstante o imenso amor que se pode ter ao grunge dos Pearl Jam, Eddie Vedder de ukelele é só triste. Daqui não sairá rock. Se lhe quiserem perguntar “porquê???” passem pelas praias da Ericeira uns dias antes do festival. Luis Montez garante que ele andará por lá.

O português Paulo Furtado, The Legendary Tigerman, vai tomar as rédias do rock no mesmo dia de Eddie Vedder, a 18 de Julho e dominar o Palco Super Bock com o seu True. Esperam-se faixas como “Wild Beast” para decorar com um rock cru e obscuro as massas que se deixarão cair aos pés do homem tigre.

No Palco EDP estreiam-se em Portugal os Pulled Apart By Horses e a perigosa aposta Cat Power onde não prevejo nada a não ser o imprevisto. Pode muito bem ser uma Amy Whinehouse do rock alternativo que deu certo. Cat Power é uma virtuosa singer-songwriter. Esperemos que consiga transparecer isso.

O Palco Antena 3 estará reservado ao hip-hop impactante de A Capicua. Para amantes do género é o que de mais interessante se faz a nível nacional. Os Keep Razors Sharp também actuarão por lá mas o seu rock datado não me permite exaltar o meu entusiasmo por eles. O projecto Riding Pânico de Carlos BB é de longe muito mais interessante.

Disclosure lideram o palco Super Bock no dia 17 de Julho. O seu álbum de 2013 Settle foi um meteorito na música electrónica mundial; o duo de irmãos Howard e Guy Lawrence de apenas 21 e 18 anos, são considerados prodígios pelos media nacionais e internacionais. A ascensão da música de dança através da evolução de estilos dubstep ou house para um híbrido com a pop, permite que bandas como Disclosure sejam cabeças de cartaz num festival. E é com expectativa que os aguardamos, mas ainda não é daqui que vem o rock.

No mesmo dia e no mesmo palco, apresentam-se Tame Impala e sim, daqui virá rock, rock psicadélico revivalista dos anos 60 e 70. O projecto fetiche de Kevin Parker é um alento para os ouvidos. Quem já viu Tame Impala ao vivo de certeza que se sentirá entusiasmado para um próximo round. A perfeição musical é ímpar e este grupo de amigos de Perth, Austrália são definitivamente a banda de rock a ver no dia 17 de Julho. E espera-se um novo álbum ainda este ano.

O Palco Antena 3 estará reservado aos portugueses Frankie Chavez e Ciclo Preparatório. Quem gosta do rock de Chavez pode deliciar-se com um concerto de blues rock com tendências folk e surf music. Quem gosta de uns anos 80 mal medidos ou ainda não percebeu que a Expo ’98 acabou, podem ver o concerto dos Ciclo Preparatório. Nessa altura já acabaram as provas globais e eu espero estar num palco longínquo a beber um copo com a Lena D’Água.

Kasabian são os cabeça de cartaz do dia 19 de Julho e daqui pode vir algum rock. A banda que leva no nome uma das psicopatas amigas de Charles Mason, Linda Kasabian, sai do som morno de 1999 e explode no séc. XXI com o álbum 48:13. A duração em minutos das faixas do disco traz um bom tempo de indie rock. Com synths e riffs à Led Zeppelin, há grande expectativa depositada nos britânicos que, este ano, também são cabeça de cartaz no festival de Glastonbury.

Albert Hammond Jr., o homem dos The Strokes, sobe ao Palco Super Bock no mesmo dia e promete uma sessão épica de terapia do sono. Desengane-se quem espera ouvir uma sonoridade parecida com a banda americana; o projecto a solo de Hammond Jr. afasta-se substancialmente. Dos álbuns Cómo Te Llama? ou Yours To Keep conseguimos retirar sonoridades interessantes e ainda se ouvem acordes da sua guitarra à Buddy Holly. Mas o músico vem apresentar o seu EP homónimo AHJ e provar que a rehab pode dar cabo de um artista. Espero morrer pela boca ou como ele diz na faixa “Strange Tidings” watch what you say, If I’m guilty, I will pay.

Ainda dia 19, parem tudo o que estiverem a fazer, corram para o Palco Super Bock pois, a seguir a Albert Hammond Jr., invadam o palco os incríveis The Kills. VV e Hotel prometem, mais uma vez, um espectáculo verdadeiramente rock onde suspeitamos que o copo que Alison Mosshart leve amiúde para o palco uma poção mágica nunca antes vista que lhe cai imediatamente no sistema digestivo e que é expelida em movimentos psicadélicos e em voz rouca sensual que hipnotiza o público num transe à la Woodstock. A guitarra arranhada de Jamie Hince e as suas afinações particulares que suprimem a necessidade de baixo, juntamente com as batidas disparadas em loop com elementos de percussão ao vivo tocados por percussionistas com a interacção de uma pujante Alison, complementam não só os temas mas o efeito visual destes animais de palco. Que mais dizer? Baby says you shouldn’t miss it.

O Palco EDP abre as portas de Portugal para os SKATERS, que prometem algum punk rock que poderá muito bem vir a ser o melhor concerto daquele palco. Se quiserem ouvir a tal música dos Dead Combo, eles também lá estarão e vão tocá-la em repeat.

O resumo é bastante fácil. Um festival que promete muito bom rock, entre novidades e apostas certas, num cenário de campo e praia, numa edição de celebração da música e dos festivaleiros. Venha o Verão.

verarodriguessig

Bilhete Diário: 48€
Passe 3 dias (Campismo incluído): 90€
Bilhetes VIP – Diário: 80€; Passe: 150€
Caravana Camping: 30€
Packs Get a Fest: a partir de 235€ (Bilhete+Alojamento+Transporte para o Festival)
MUSICard CP: 125€
Cartão Jovem: desconto de 5€ na compra do passe de 3 dias e de 2,5€ no bilhete diário