Os mais desatentos podem achar que Ty Segall anda a perder o gás. Apenas um álbum em 2017?! Nem parece teu, Ty. Temos que entretanto saiu o EP Fried Shallots em Agosto, mas uma pessoa fica mal habituada. A verdade é que a fúria de um grande rocker não se mede pela quantidade de discos que se lança desenfreadamente num ano, mas sim pelo pó que levantam – quem passou pela noite mágica de Coura este ano sabe na pele ao que nos referimos -, e pela capacidade de aprimorar as fórmulas de desarranjar as canções. E o rock já leva muitas décadas para se encontrarem novos escapes a essas fórmulas.

Ty Segall lançou logo no começo do ano o seu segundo disco homónimo pela Drag City – o primeiro saiu em 2008 pela Castle Face de  John Dwyer dos Thee Oh Sees – e, com excepção feita a Fried Shallots, Ty tem passado boa parte do ano no seu habitat mais que natural, o palco. Ou achávamos nós. Assim de repente e sem aviso prévio, Segall avança com um novo tema que o remete para o seu passado recente e para a repescagem do psicadelismo beatlesiano de “Black Magik”, o lado B do 7” Sentimenal Goblin editado em março onde acompanhava “Pan”. “Alta”, a música em questão, não se aprofunda até ao centro nevrálgico e comum do psych mas traz para dentro do cancioneiro segalliano o peso circular que muitas vezes se encontra em arranjos grunge, mais em particular dos The Stone Temple Pilots e Alice In Chains e… arriscamos também nos Smashing Pumpkins!? Arriscamos.

“Alta” mantém o nome de Ty Segall em altas e abre desde já a gula para um possível disco a fechar o ano que Ty Segall abriu. Desta vez, na companhia da The Freedom Band da qual fazem parte Emmett Kelly, Mikal Cronin, Charles Moothart e Ben Boye, “Alta” foi gravado com Steve Albini.