Quando pensamos em Benjamin Gibbard, automaticamente o relacionamos à figura de frontman de Death Cab For Cutie e The Postal Service, e nos esquecemos do talento ímpar enquanto compositor a solo: a solo ou em banda Gibbard é um dos músicos mais inventivos das últimas duas décadas. A sua estreia a solo veio com o incrível Former Lives de 2012 e agora, Ben lançou a 29 de julho um segundo trabalho em nome próprio e um que se revela ser uma verdadeira jóia rara, Bandwagonesque, que nada mais é que uma regravação do terceiro álbum dos escoceses Teenage Fanclub, lançado originalmente em 1991. A iniciativa foi idealizada pelo selo Turntable Kitchen para a série Sounds Delicious, que consiste em reunir artistas na missão de regravação na íntegra de álbuns editados por outros artistas, para depois serem lançados em vinil e vendidos em edições limitadas – caso, por exemplo, de Mutual Benefit que regravou recentemente temas de Vashti Bunyan.

No meio de inúmeras influências e opções, é no mínimo curioso o motivo que levou Ben a escolher esse álbum para o projeto. Em entrevista para a Billboard, Benjamin conta:

So I was contemplating a couple different records to do, until I kinda had that no-duh moment: Well, of course you would do Bandwagonesque! It’s a record that made such a massive impression on me when I was 14 years old, and Teenage Fanclub to this day is my favorite band, due in large part to that album.

Em sua versão, Gibbard manteve o tom power e noise pop de guitarras cortantes e ao mesmo tempo melancólicas e doces que consagrou os Teenage Fanclub em 1991. No entanto, o disco soa atual, sem deixar de lado a raíz emo do músico – que permeia também as músicas dos Death Cab for Cutie -, naquela variação que já conhecemos: guitarras limpas, pedais de efeito (dessa vez com mais viagem e sujeira do que o habitual), violões, vocais melódicos que casam com os backing vocals e uma cozinha (baixo e bateria) comportada à altura do restante.

Na versão de Ben Gibbard, Bandwagonesque é um disco para apaixonados e melodramáticos. Pode ser ouvido num domingo de manhã com a família – como nos comerciais felizes de margarina -, ou deitado na cama (aos prantos) após um traumatizante término de um relacionamento. Um embarque sem volta ao sentimento de nostalgia adolescente, embebido de imaturidade, dúvida e saudade. O álbum mal começa e basta ouvir o começo da romântica “The Concept” para entender que o seu coração ainda está quebrado devido a pendências do passado. Logo em seguida, para sair da melancolia, vem “Satan”, um instrumental punk rock bem porrada de apenas 0:56 segundos. A partir de “December” e “What You Do To Me” as coisas coisas começam a ficar animadas (e é daí que vem o comercial de margarina com toda a família). As duas músicas mais essenciais desse disco – “I Don’t Know” e “Sidewinder” – conseguimos observar com clareza o toque singular de Gibbard. Ouviram? Pois é, ele causa sensações e emoções como poucos fazem.

As letras das músicas dispõem de detalhes irónicos geniais, tais como a vida amorosa e as suas várias facetas. Uma frase pegajosa de “Sidewinder” diz:

I love your touch, I love your style
Hit the snag you know it makes me smile.

Ponto para os Teenage Fanclub. Embora seja imprudente fazer esse tipo de comparação, Bandwagonesque gravado por Ben Gibbard é menos ruidoso e mais polido que sua versão original. Tamanha subtileza, ganha da interpretação dos Teenage Fanclub, e supera até Kintsugi, o álbum mais recente dos Death Cab For Cutie. Mas isso são só opiniões, certo?