Química e matemática. Dois elementos essenciais para estruturar o mundo como uma experiência laboratorial fria e pronta a dissecações. Zeros e uns e zero de relatividade ou coincidência, deus fica do lado de lá da porta do laboratório, as emoções prescrevem-se enquanto um aglomerado de elementos numa tabela periódica de siglas em letras maiúsculas e minúsculas, a sensitividade é olhada pelas lentes de ver em grande e em distante de um microscópio. Ou serão estas observações meras erradas ideias de um olhar leigo e desconfiado habituado a páginas de poemas, canções sem pautas e incapaz de perceber a beleza dos números e de como os elementos se encontram para ser possível tudo o resto?!

Os Flunk, banda norueguesa com um historial discográfico que remonta já à alvorada do século – For Sleepyheads Only, o disco de estreia foi lançado em 2002 -, edita no final de Setembro o seu sexto disco de originais, Chemistry And Math pela Beatservice Records, e avança em pezinhos de lã bem firme e concreta para a dissolução nada laboratorial da ideia filosófica em cima levemente dissecada. O trio de Oslo envolve os mitos em canções sensíveis e de uma simplicidade desarmante que distrai da complexidade de pensamento e do background sonoro onde pintam as canções toldando a observação sensitiva e sonora para os elementos químicos que se somam e multiplicam em fracções complexas de uma clareza pouco humana… ou será consequentemente plenamente humana?

Com o disco pronto para deixar o ambiente controlado do estúdio em finais do mÊs que vem – Chemistry And Math foi na verdade gravado em salas, quartos e cozinhas complicando as fórmulas e trazendo o componente humano para o ADN do disco e da história dos Flunk que orgulhosamente gravaram apenas um disco em estúdio, o anterior Lost Causes em 2013 -, os noruegueses abrem mais um pouco das experiências que têm manipulado ao longo dos últimos 25 meses e revelam agora o segundo tema para o novo disco, “Outsiders”.

E sim, deixam entrar os forasteiros seres da Terra não familiarizados com o percurso da banda numa realidade que não é a esperada. Em vez de batas brancas, luzes planas e doentias e de instrumentos de contornos alienígenas encontramos enquanto terceiro single uma fina peça de tecidos humanos bordada a guitarras acústicas sobre um paisagismo de silêncios electrónicos comandados pela voz celestial de Anja Øyen Vister. “Outsiders”, que sucede a “Petrified” e “TMTTUOT”, a música escolhida primeiramente para testar a atmosfera fora do laboratório ainda em Maio do ano passado, aninha-se de forma emotiva, tranquila e nórdica nos mesmo campos de escrita explorados por Stina Nordemstam, múm e Zero 7 bem como nos cinzentos mais claros de Bristol recuperando a herança do trip-hop dos Massive Attack e a fase menos luminosa dos Morcheeba. Antagonizando os dois primeiros singles e o negrume que os envolvia em memórias das nuvens de fumo de Tricky ou pelo minimalismo descontente dos The xx , “Outsiders” é a descoberta de um novo planeta habitável de maravilhas e coloridos plácidamente reflectidos no orvalho cristalino de quem olha pela primeira vez para uma nova realidade. Come inside…

Chemistry And Math é, segundo a banda, um disco sobre a inevitabilidade da aceitação que tudo é feito de padrões e de leis naturais… ou não.

…it’s not so much mystery, it’s math, and chemistry, and hormones, and a constant chaos of coincidence.

O novo disco do Flunk, Chemistry And Math, sai no próximo dia 29 de Setembro. Em baixo fica “Outsiders” e os anteriores “Petrified” e “TMTTUOT”.