You will never never never be more than a machine.  São simplesmente os The Horrors a apontar o dedo ao que vemos. Depois de lançado no mês passado o single “Machine”, a banda tem agora vídeo para o tema de avanço para o novo disco que serve como uma reflexão sobre o universo que nos querem apresentar.

A evolução na sonoridade comprovada agora em “Machine”, mostra como a banda se transformou sem sair do seu registo. O tema traz à memória uma fusão entre o registo de estreia Strange House de 2007 com a exploração dos seguintes Primary Colors de 2009 e Skying de 2011. Ouve-se claramente a “industrialização” do som remetendo directamente, como não podia deixar de ser, aos Nine Inch Nails mas também a algumas das sombras politizadas que se abateram sobre o último disco de Depeche Mode, Spirit. O arranjo visual que a banda procura é, no entanto, elemento diferenciador e anda pelos menos universos visuais de Arca ou FKA Twigs – algo que não se estranha.

A realização do vídeo ficou a cargo de Jon Emmony – que trabalha com o conceituado fotógrafo Nick Knight responsável por exemplo pela capa de Homogenic de Björk – e, segundo o próprio, a representação visual baseia-se no conceito de “máquinas dentro de máquinas” e da “simulação computacional”. Ou seja, Emmony “deixou” que fossem gerados movimentos às imagens que criou, remetendo-as a formas viscerais de insectos num interior animalesco. Desta forma, pode criar animações aleatórias e sequenciais, que se vão transformando e intersectando, sem um fim preciso.

Esta linguagem visual segue o artwork apresentado para o disco criado por Erik Ferguson. As referências a Arca ou FKA Twigs não são, de todo, injustificadas já que o trabalho visual que circunda as suas carreiras em termos sonoros está também a cargo de Jesse Kanda e Nick Knight, sendo que todos eles colaboraram entre si, dando continuidade assim ao lado visceroso, íntimo, embora luminoso – poder-se-á dizer engraçado? – e exploratório que V, a próxima rodela dos The Horrors, quer mostrar.

Talvez venha a ser crítico ao que lhe rodeia, mas este disco tem a chama inicial para vir a ser um grande regresso. E de regressos falemos então: a apontar na agenda dias 9 e 10 de Dezembro deste ano – Porto e Lisboa, respectivamente, datas em que os britânicos actuam em Portugal.

V sai 22 de setembro pela Wolftone/Caroline International. Fiquem em baixo com “Machine”.