Mesmo somando apenas trinta primaveras, Devonté Hynes é já considerado como um dos artistas mais influentes do panoramaactual do indie britânico. O início da sua carreira data de 2004, ano em que formou a banda Test Icicles, trio de dance-punk onde tocava guitarra na companhia do baterista James Ford dos The Last Shadow Puppets e que lançou somente um disco, extinguindo-se dois anos depois. A partir daí, Dev – como carinhosamente é apelidado -, começou a apostar mais em projectos a solo, surgindo aqueles através dos quais ficou conhecido: Lightspeed Champion e Blood Orange. Enquanto o primeiro focava-se mais num registo indie-rock, o segundo encontra-se numa encruzilhada entre a pop e o funk, que tem tanto de bonito como de improvável.

Este projecto mais groovy levou a que Dev se entregasse de corpo e alma a Blood Orange, encerrando a sua carreira enquanto Lightspeed Champion. E parece que à terceira foi mesmo de vez: é neste projecto que se sente em casa, em que consegue dar asas a todas as ideias que surgiram ao longo dos anos mas que ainda não estava apto para ao pôr em prática; é como se se tratasse de um turbilhão de estilos e influências diferentes que se complementam e fluem com o máximo de naturalidade possível, como se estivessem destinadas a acontecer. Coastal Grooves e Cupid Deluxe, os discos como Blood Orange, bem que o comprovam.

E é então que a derradeira confirmação acontece através de Freetown Sound, álbum a ser lançado hoje. Baseando-se na cidade de Freetown em Serra Leoa, conta com a participação de um ilustre leque de convidados desde Empress Of, Adam Bainbridge (Kindness) até à ‘nossa’ Nelly Furtado. Neste, Dev reflecte sobre o seu passado, o presente e o que lhe espera o futuro, abordando como foi o caminho que teve que percorrer para alcançar a faceta de Blood Orange. Este relato é acompanhado pela ambição de criar o seu melhor registo até à data, indo buscar novas influências para incorporá-las no seu estilo já estabelecido, permitindo-lhe surpreender os ouvintes que já o acompanham desde os primórdios. Esta constante procura pela mudança justifica a razão da sua influência e de ser procurado por artistas como Florence Welch ou FKA Twigs.

Freetown Sound já está disponível em stream. A última aparição de Blood Orange por terras lusas remota ao ano de 2014 quando encabeçou o Palco Vodafone no Rock In Rio Lisboa, tendo ‘enfrentando’ a dura concorrência dos Queens Of The Stone Age que tocavam à mesma hora. Com disco novo, prevê-se um regresso em breve, quiçá no Vodafone Mexefest. É esperar para ver (e ouvir).