Nostalgia-se já, em tom de saudade, o final do verão no hemisfério norte, e enquanto a sua congénere sulista celebra uma condição tropicalizante de terreno predominantemente fértil em termos de psych nas esferas mais letárgicas – tendo como representantes maiores os Tame Impala ou os POND cartografados na Austrália ou os Boogarins no Brasil -, as fronteiras mais a norte seguem uma tendência ou qualidade que, quiçá, não lhes será particularmente inata, entretanto descoberta através do caminhos multicolores desbravados pelos seus afins sonoros, e aperfeiçoada disco após disco.

Os Temples, provenientes da chuviscada Inglaterra, penetraram nessa malha sonora hipnótica e embalante tão fluente nas latitudes mais quentes e trouxeram-lhe uma lufada de ar fresco, ao decifrarem novas formas de moldar essa plasticina onírica e de a incrustarem no seu som. O Canadá, não sendo um solo tradicionalmente conotado com as pautas mais lânguidas, fez brotar já como nomes como Mac DeMarco, que gradualmente se foram encostando a ambiências mais ternas de guitarras mais macias, aquelas mesmas que compõem agora o cenário que abraça o psych vagaroso dos também canadianos TOPS.

Embora seja perceptível um encadeamento mais arrumadinho na construção sonora da banda de Jane Penny em relação a uma certa – e tantas vezes preferível -, sensação labiríntica nas nuances mais a sul, o certo é que os TOPS abraçaram a letargia da psicadelia com a largueza nativa de outras paragens menos gélidas. O quarteto lança um vídeo desbotado em tons de pastel por imagens da banda num parque de diversões que se estendem até ao cair da noite para o tema “Marigold & Gray” do álbum Sugar At The Gate editado a 2 de junho passado pela Arbutus Records. Para psicadelizar e juntar ao compêndio psych tradicional dos demais.