Numa altura em que se começam lentamente a desligar os botões dos summer fests, contam-se e recordam-se momentos e noites longas passadas com amigos e bandas sem fim num verão que foi quente no som e nos termómetros. Já estão nesse mood? Então, ajustem o botão para os winter fests que as coisas começam a tomar forma e conteúdo.

O Vodafone Mexefest, assumindo o seu papel de festival maior no que toca a meses menos soalheiros – embora essa seja uma ciência cada vez menos exacta -, avança a todo o vapor na revelação do cartaz para a edição de 2017 e vai tornando a sala de visitas habitual do festival – a Avenida da Liberdade e as suas ruelas adjacentes -, um local já bem recheado de convidados de luxo. Ao lado de Charles Bradley, de Dan Bejar e dos seus Destroyer, dos Cigarettes After Sex, da señorita Aldous Harding e do rapper Valete, vão estar mais três nomes tão distintos entre si como proporcionalmente superiores no que toca à arte de escrever canções que trilhem mais ou menos os caminhos mais alternativos das correntes em que se permitem navegar.

Julia Holter

Se Aldous Harding é uma das grandes surpresas e novidades no clube das singer-songwriters que 2017 está a tratar de confirmar depois do lançamento de Party em Maio passado – o sucessor do disco de estreia homónimo de 2015 -, Julia Holter já é há muito dona e senhora de um lugar muito seu entre as melhores e mais complexas compositoras de uma nova geração. Quatro discos de originais, uma banda sonora e a reinvenção do seu próprio património em In The Same Room, o disco deste ano que inaugura a colecção Documents da Domino Records, no âmbito da qual os músicos da editora vão de tempos a tempos regravando e reinterpretando a sua música no decorrer de um ou dois dias num estúdio em Londres, são testemunhos de um trabalho de recortes clássicos envoltos em delicadas estruturas, em sumptuosas dores, em poesia sonora carregada e sublime e em trejeitos religiosos sónicos, classicistas e adultos. Julia Holter regressa a Lisboa depois da sua última passagem pela capital portuguesa em 2013 na Galeria Zé dos Bois.

PAUli

Quem ainda não passou por cá e se estreia em terras nacionais em nome próprio para trazer algumas ideias boas para o amanhã é PAUli., produtor, director criativo de FKA TwigsJamie xx, compositor e outras tantas coisas no tempo que inventa. Londrino de berço, imigrado para Brooklyn, epicentro cultural da cidade de Nova Iorque e não só, Pauli Lovejoy editou até agora apenas um EP, The Ideia Of Tomorrow, em 2016, mas prepara-se para dar o segundo passo em direcção ao primeiro longa-duração que, ao que tudo indica, sai em 2018, ao que se soma mais um EP programado para Outubro próximo, mesmo a tempo do concerto do Vodafone Mexefest. PAUli coloca-se, com apenas um EP, junto a uma nova geração de artistas que tratam a soul e o r&b como um parque de diversões e um laboratório de experiências electrónicas mais ou menos puristas. Para quem ama Sampha, The Weeknd, Blood Orange e Thundercat.

Childhood

Num parque de diversões de fusões várias é também onde vamos encontrar o terceiro nome revelado para o festival lisboeta. Os Childhood podem ainda estar a dar os primeiros passos mas já levam dois discos de originais, Lacuna de 2014 e Universal High de Julho passado, no currículo. A banda inglesa não se ajeita a nichos, e descobre os pontos de encontro entre a obra dos The Stone Roses e de Paul Weller com a northern soul dos anos 70 e com algumas das bandas mais interessantemente transgressoras das regras do psicadelismo actual. Para descobrir nos próximos dias 24 e 25 de Novembro algures numa das salas que vão receber o Mexefest versão 2017.