Estes tempos ‘parecem’ confusos, ansiosos e imprevisíveis. A sensibilidade de muitos artistas cria uma vontade de expressarem a sua voz social, política ou, simplesmente humana. Love is Love, o álbum dos Woods que está para chegar, também não estava provavelmente nos planos, mas como diz o povo “a necessidade aguça o engenho”. A necessidade de não adormecer no silêncio perante o que todos os dias é revelado, de ver o que realmente é importante e tentar entregar a poesia que enfim se procura encontrar.

“Bleeding Blue”, o novo single dos norte-americanos, tem a forma de um manifesto de esperança que fala de amor com simplicidade e em tom universal. Esta produção extraordinária por parte da banda está ligada às últimas eleições norte-americanas e às mudanças de ordem global que as mesmas preconizaram, tendo o novo álbum sido escrito e gravado 2 meses depois do acontecimento. No entanto, não se munem de rancor ou violência; antes fazem um hino vívido de apelo ao melhor que existe em cada um.

Depois de uma introdução melodiosa à guitarra e dos versos “I am the wind / Love is not dead”, um instrumental de sopros protagonizado pelos trompetes eleva a música e destaca a sua força, aparecendo recorrentemente até aos últimos segundos. Este momento faz despertar e é explícito quanto ao objectivo impulsionador e activador da própria música. Não sendo melodramático, o ritmo oscila entre a reflexão e a acção pujante. O próprio timbre de Jeremy Earl e a veia folk-rock da banda – reminescente ao espírito dos The Beatles -, dirige uma constante jovialidade e delicadeza cada vez mais maturadas. O  realismo sóbrio presente na letra é o suficiente para que nos deixemos inundar verdadeiramente pela mensagem que recusa o cinismo do mundo e as falsas verdades através da defesa de acções que despontam por meio de amor – apesar de à nossa volta anunciarem que o ódio não consegue ser vencido, há outras vozes que podem ser ouvidas.

Kevin Morby, o ex-baixista da banda, manifestou-se em relação às intenções e potencialidades deste novo álbum, deixando uma mensagem coerente e perspicaz ao tom do mesmo:

So let us make room for love – and let it triumph like a trumpet inside a chorus.

O risco de ser foleiro, falando ou escrevendo sobre amor é considerável tal a sua potência. Finalmente, “Amor é amor”. Simples. O single segue esta deixa que irá compor o álbum, um documento de protesto, pacífico e não-linear, cujo lançamento está marcado para o próximo dia 19 de Maio.

 

Os Woods estiveram na semana passada no Musicbox num belíssimo concerto.