No vídeo que estrearam na segunda-feira para o tema “Everytime I Die”, os UNI FORM confirmam que são uma das melhores bandas pop portuguesas e também uma das mais facilmente exportáveis – se houvesse visão política para tal… E são um dos melhores projectos nacionais por vários motivos, não só musicais.

Primeiro, a banda dos talentosos e eruditos irmãos Francisco (David e Nuno) soube sintetizar as suas influências num apurado conceito artístico: industriais wave e post-punk com letras cuidadas. E em torno do carismático vox machina, Billy tem conseguido processar aquele conceito em canções e discos simultaneamente bons e atraentes.

E são atraentes também pela briosa insistência na qualidade da gravação e da produção, que faz brilhar a qualidade intrínseca das canções deles – “Everytime I Die” é o último exemplar disso, como será desenvolvido mais adiante. Finalmente, o valor da banda é atestado também pelo bom senso estético que o trio costuma empregar na encenação dos temas, tanto nos concertos como nos videoclips – senso do qual o virtuoso “Valkyria” é uma eloquente amostra.

Todavia, “Everytime I Die” é um inegável avanço musical dos UNI FORM! Porque se no passado o trio soou muito próximo de bandas como Interpol (como o timbre de Billy é próximo do de Paul Banks) e She Wants Revenge (cuja dark wave também replicam excelentemente), em “Everytime I Die” os UNI FORM oferecem uma wave post-punk com as influências mais subtilmente processadas, ostentando maior autonomia criativa. E fizeram aquilo em grande estilo!

Ainda bem que o videoclip é austeramente documental da cena gótica e (post-)punk germânica, porque induz a que se aprecie melhor os atributos da canção, como por exemplo a poderosa partitura da bateria pulsando num industrial post-punk que podia ser dos Nine Inch Nails ou dos Filter e simultaneamente é tão dançável que também se aproxima do big beat da “Setting Sun” dos The Chemical Brothers (que obviamente nem são um projecto ‘dark’).

Mas é mesmo UNI FORM: estão lá os sintetizadores e o baixo gravíssimo e, claro, a voz ecoante de Billy. Só que é UNI FORM com pedalada muito viva, robustamente apta para tocar em recintos com dimensão proporcional ao enorme talento deles. Assim, o futuro álbum Golden Age continua a merecer ávida curiosidade.