A imaturidade, a loucura, a juventude e e frescura que o garage punk respira vive hoje tempos belos. Ty Segall, White Fence, Meatbodies, entre outros, levam o fuzz das guitarras e o crash das baterias na algibeira nos seus concertos enérgicos que causam bastantes dores de pescoço nos dias seguintes (e falamos por experiência própria).

Portugal tem sido casa recorrente para estes certames frenéticos. Agora, estreiam-se em Lisboa os Feels de Laena Geronimo, Amy Allen, Shannon Lauy e Michael Rudes que levam produção do tio Segall. É já no dia 8 de Setembro no Musicbox que vamos poder sentir na pele um garage cru, lo-fi, com menos “birras” das que estamos habituados, para dar lugar a uma melodia, ainda que esta seja de índole distorcida.

A primeira parte do concerto é encabeçada por Vaiapraia (Rodrigo, “da Maternidade”). Num registo semelhante, de terras lusas, apresenta-se tanto a solo como acompanhado de baixo ou guitarra, pelas mãos de Shelley Barradas, e de bateria, pelas mãos de Helena Fagundes, sim, as Clementine. Com letras frequentemente alusivas à comunidade queer e uma identidade forte, a voz grave de Rodrigo ecoa num piano eléctrico em “Morre Se Queres Morrer”, por exemplo.

Suspirar-se-á uma celebração frenética da música de garagem, do punk e da sua essência. O ambiente húmido esta garantido, os amplificadores cranckados, o fuzz no máximo… e já se ouve o feedback.