Violent Soho - Hungry Ghost
75%Overall Score

Existem álbuns que parecem ter sido feitos em e para viagens. Álbuns que nos empurram para a frente, que nos impelem ao movimento. É exactamente isso que acontece com Hungry Ghost, terceiro álbum dos australianos Violent Soho, lançado pela I Oh You em Setembro de 2013. E não há melhor mote para o álbum do que os primeiros minutos de “Dope Calypso”, a primeira faixa: um crescendo nervoso que explode no ataque rigoroso deste quarteto. Se há momentos que dão realmente gozo num álbum que se ouve pela primeira vez, são as pérolas que se vão encontrando. E Hungry Ghost tem bastantes. Seja a linha melódica cravada de delay que resiste na parte final de “Liars”, apenas para ser engolida nas guitarras surpreendentemente ásperas e fortes de Luke Boerdam e James Tidswell, a funcionarem completamente em sintonia, no groove inesperado de Michael Richards, apoiado sem falhas pelo baixo de Luke Henery; seja a energia plena que desrespeita completamente um certo tom melancólico que se esperaria continuar em “Covered In Chrome”, fazendo-nos imaginar como será libertá-la num concerto e nas mazelas que levaremos alegremente para casa; seja no crescer da profundidade de “OK Cathedral”, em que terminamos com aquilo que poderiam ser restos de qualquer coisa que se partiu nas nossas mãos – são só alguns dos momentos que nos dão vontade de voltar atrás e ouvir uma vez mais.

Até mesmo nos momentos mais previsíveis do álbum, como em “Saramona Said”, em que se descai para uma sonoridade rock um pouco mais insossa, ou “Eightfold”, onde se roçam ambientes mais próximos das linhas que algum punk mais pop cose, somos apanhados por pormenores que nos mantêm atentos e com vontade de continuar a ouvir, começando da agressividade das guitarras até a uma secção rítmica muitíssimo eficiente. É fácil aproximar os Violent Soho de uma sonoridade familiar ao rock dos anos 90 (especialmente ao universo Nirvana e rock independente) mas, na verdade, é redutor fazê-lo. Não porque sejam uma má memória (antes pelo contrário), mas porque se sente que os Violent Soho são uma banda coesa que toca rock inteligente e, melhor do que isso, com toda a naturalidade e honestidade que se quer. É isso que passa nesta viagem carregada de sobressaltos e alguma vertigem – uma banda inteira a dar o que quer dar e a fazê-lo bem, sem mais pretensões. Apesar de não ser segura, é, definitivamente, uma boleia a apanhar.