Pintem-se de “Burgundy” as paredes da tenda do Heineken, esconda-se o Tejo com uma parada de “Elephants”, vistam-se as tshirts de “Biggy”, mantenham saudáveis as memórias de “Billie Holiday” e mantenham-se Heads Up até chegar Julho. As Warpaint de Emily Kokal, Jenny Lee Linberg, Stella Mozgawa e Theresa Wayman são as primeiras a chegar ao palco Heineken.

Não serão muitas as bandas a atingirem logo ao primeiro disco um estatuto de culto como as Warpaint o fizeram. Não, pelo menos, com a velocidade da indústria actual, com a acessibilidade a tudo à distância de um click. Não uma banda 100% feminina num mercado ainda dominado por homens e exausto desse patriarcado vazio. Mais um patriarcado vazio. Mas elas pintaram o rosto e saíram para a guerra sem respeito pelas regras e com canções de sonhos urbanos, com palavras na primeira pessoa e para as pessoas com sonhos urbanos. O dreampop encontrava um shoegaze menos saturado, o indie rock era tratado com a delicadeza da mulher com armas e guitarras e bagagens feitas e desarrumadas para a viagem à constante evolução.

Hoje, três discos depois – The Fool de 2010, Warpaint de 2014 e Heads Up deste ano -, as Warpaint seguem rumo ao amanhã. Sem pensar no que fica para trás ou quem seria suposto serem. O dream ainda é pop mas já balança, o trip descobriu frestas de luz para ser hop e a elegância da maturidade já não abre tanto espaço ao gazing… mas  convida para uma dança. O menino dança e sonha? Dança pois, sonha pois.

E Lisboa também dança no dia 07 de Julho em Algés na 11ª edição do NOS Alive. As Warpaint são a nova canção do Alive e juntam-se assim aos The Kills e aos Foo Fighters no segundo dia do festival. Relembramos que os Depeche Mode foram a primeira certeza do cartaz e sobem ao palco no dia 08 de Julho.