Inglaterra foi o lugar que nos trouxe os The Cure, os The Damned, os Depeche Mode, os Joy Division, entre muitas outras caras assombradas. Que é um país propício a paisagens regadas a luar intenso rasgando o nevoeiro denso e que sempre fez por nos entregar algumas das combinações mais intensas entre mistério, música, paranóia e repetição mecânica, também não é novidade. Caso façamos questão de esquecer, Wendy Bevan constitui mais uma razão para nos lembrarmos. Vem precisamente das Terras de Sua Majestade e é uma performer da cabeça aos pés: experimentando com música, filme, fotografia e com os géneros dramaturgos, chega-nos como uma encantadora bruxa com o dom de se metamorfosear em diferentes faces. É com esta que nos encara para lançar o seu mais recente disco Rose And Thorn.

Tal como o próprio título sugere, a sua música vem, lá está, evocar as eternas imagens góticas, frescas de algum sangue e sempre soturnas e ambíguas. No entanto, a sua voz serpentina e vibrante, os olhos vivos e penetrantes e os ritmos incessantes das drum machines, colocam-nas mais próxima da força primal de uma Siouxsie Sioux do que da contemplação melancólica dos cabeludos de quem falávamos, sempre sonhadores e de lábio pintado. Há uma viagem mais vibrante e hiperactiva que se faz pelo post-punk e o gótico que surge na persona desta artista. As vibrantes salvas de synths acrescentam não só cor, mas autênticos números de diferentes tinturas, enquanto o pulsar da secção rítmica faz tanto por elevar como castigar, com os seus ambientes reverberados a fazerem por uma produção densa e briosa que se faz ouvir em toda a música.

Ainda assim, e de forma audível nos seus uivos shamânicos, o ethos de transgressão e multidisciplina de Bevan estende-se a outros terrenos. Há uma forte aura da igualmente assombrosa escola do trip-hop a governar a sua música, com os motivos rítmicos e vocais no novo single “In Ghosts We Trust”, principalmente, a lembrar ecos daquilo para eventualmente evoluiriam os Massive Attack. Isto não será alvo de surpresa quando os passados créditos de colaboração de Bevan encontram nomes como Howie B (Björk, Tricky) e Paul Simm (Neneh Cherry).

Antecipado como um autêntico cabaret cinematográfico e enublado, Rose And Thorn está marcado para se revelar a 9 de setembro, via Kwaidan Records e chega-nos pelas mãos da produção de Marc Collin dos muito bailantes Nouvelle Vague. Até ao fim do verão ainda há muito tempo para preparar este fogoso encontro.