Whales In Cubicles - Death In The Evening
80%Overall Score

As longas viagens requerem algumas pausas; pausas para descansar e reorganizar. As longas viagens requerem boa companhia e espírito de equipa, pois se é uma longa viagem é bom que seja satisfatória em tudo o que isso possa representar. E a vida é uma longa viagem, independentemente do tempo que a demoramos a fazer.

Whales In Cubicles fazem parte dessa reorganização, dessa longa viagem, e nesta longa viagem importa quem ou o que é que enfrentamos, sobretudo, quando nos sentimos enclausurados, sejam elas as razões que forem para cada um de nós, pois o mundo apresenta-se tenso e repleto de trincheiras. Nesta ordem de ideias, bem-vindos aqueles que quiserem fazer parte desta trincheira. Aqui existe uma trincheira. Uma trincheira pronta para a guerra; pronta a fazer a guerra; “mortinhos” para começar a guerra. Nesta trincheira existem baleias bem armadas com palavras e instrumentos. Estas baleias estão conscientes. Estas baleias não dão à costa, entram pela costa dentro e logo pelos ouvidos. “We Never Win”, através da frase “nunca vencemos porque nunca tentámos”, convoca todos aqueles que querem fazer parte desta trincheira, sobretudo depois de um dia de trabalho, lá pela tardinha. É que, baleias que vivem em cubículos, precisam de motivação e este álbum tem esse poder, essa ignição, embora esteja longe de ser épico. É que o mundo apresenta-se sequioso de decisões acertadas, também. Isto se todos queremos um mundo melhor para viver. Pois estas baleias são a primeira peça no efeito dominó. No entanto, nada disto significa que sejam cavalaria pesada, mas sabem o que estão a fazer e sabem para o que é que vão e aparentam saber as consequências. Não que isso os desanime, pois também se preparam para elas… e quem vai para a guerra sabe de antemão que baixas é um dado adquirido nestas coisas.

Desenganem-se os que podem achar que este álbum é uma ode à guerra. Nada disso. Será mais um ensaio à atitude. Não se pede aqui para se agir de cabeça quente, pois tudo requer trabalho e, de certa forma, estratégia para que possa produzir efeito. Pede-se aqui para repensar e agir da melhor maneira possível, mas de maneira eficaz, signifique isto o que tenha de significar para cada um nós, porque as batalhas não se ganham enfiados em casa a ver televisão, a bramir com ela, e a encovar o sofá lá de casa porque é a vida que importa e dela não devemos ter medo. Tudo isto baseado numa voz, 2 guitarras, 1 baixo e bateria.

Death By The Evening é um álbum bem conseguido. A génese desta banda pode explicar bem o produto final. Ora, Stef Bernardi, o fundador, é italiano emigrado nos Estados Unidos e estabelecido em Londres e seguiu sempre a ideia de ser músico. Dá aos Whales máquina (influência italiana), músculo (influência norte-americana), história (influência inglesa)… ou talvez não seja nada disto e Whales In Cubicles sejam apenas mais uma banda que sabe que assim resulta e pode viver felizes para sempre de uma maneira bem honesta e verdadeira, sem necessidade de fazer dos outros escravos ou de terem monopólios e quererem sempre mais a todo o custo e em tempo recorde… As leis de Whales são simples. Façam-se à estrada e não fiquem retidos na saudade, embora possamos e devamos contemplá-la. Aprender sempre para fazer melhor.

Whales In Cubicles nunca serão Rage Against The Machine, nem Nirvana, nem Smashing Pumpkins, porque um bicho deste tamanho precisa de muito espaço para se expressar, e quando se vive apertado, a vontade tem que ser controlada. Por isso, precisa de uma rede para que em conjunto se consiga movimento, e esse movimento com certeza fará efeito, pois por mais contemplativo que seja uma baleia, uma coisa é certa: ninguém quererá morrer debaixo de uma, seja lá a que horas for.

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