São densos, tensos e plenos em atmosferas incendiariamente grumosas os riffs rendilhados a darkwave que desinibem e potenciam a electrónica recôndita e febril dos suecos White Birches. A arte sonora produzida pelo duo sueco não é para ser consumida em dias soalheiros regados a passeios com o bichano à beira-mar com a cara-metade (e se o fazem, parabéns e juntem-se ao clube). O sal e o suor emanam antes das almas frenéticas que embaciam e turvam as paredes de tez avermelhada e negra de caves sôfregas que guardam segredos de sobremundos underground para que é feita. É inebriante, inflamada e fascinante.

Jenny Gabrielsson Mare e Fredrik Jonasson armam-se de sintetizadores analógicos, baixos curvilíneos, guitarras shoegaze e pianos dramáticos e edificam fórmulas sonoras pulsantes e impulsivas com o mesmo tipo de opacidade gráfica dos Depeche Mode ou IAMX.

Por aí a desencaminhar meninos e meninas bem-comportados e a lançar o caos, encontra-se já desde 8 de Abril Dark Waters, o álbum de estreia do duo sueco que se arrisca a acelerar o anoitecer do dia e a intensificar o enegrecer da noite. Ou como nos confessam os próprios,

We’ve been trying to create a sound black as night, all held together by lyrics on hope, pain, Belsebub and broken hearts.

Em baixo o video para o último single, “You Will Find A Fire” e, porque não, o disco para escuta.

rosana rocha sig

 

 

 

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globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

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