Seja nas guitarras estridentes carregadas de dor existencial e nas caves infestadas de angst de “Yuk Foo“, seja nos sintetizadores sonhadores e flutuantes bem próximos de uma atmosfera etérea de “Don’t Delete The Kisses“, a verdade é que toda a música desenhada pelos Wolf Alive tem evidenciado um conhecimento profundo do que foram os anos 90 em tantos dos seu vértices sonoros, aqueles mesmos que fizeram uma década dominada pelo grunge, pelo brit pop – e, numa zona mais escura e underground e fora dos grandes circuitos comerciais, pelo punk -, uma época especialmente rica e inovadora, não só em termos de proliferação de novos projectos, muitos deles de carácter independente, como também de novas tendências e misturas aliadas à quebra de grandes paradigmas musicais.

Depois do vicioso retro-garage espraiado na configuração difusa, embora extraordinariamente melódica, de “Beautifully Unconventional“, os londrinos revisitam novamente a época que lhes parece alinhavar os declives sonoros através do ambiente nebuloso do novo tema “Heavenward”, totalmente florescido das nascentes dreamy do shoegaze que, embora nascido no final dos anos oitenta, teve indubitavelmente a sua expressão máxima nos primeiros anos da década seguinte. Apesar dos temas já revelados envergarem entre si nuances bastante distintas, existe uma linha temporal coerente que faz sentido num todo e aumentar a expectativa pela forma como os Wolf Alice desenvolver e explorar as restantes canções.

“Heavenward” é a quarta representação sonora para Visions Of A Life, o segundo longa-duração dos Wolf Alice lançado oficialmente a 29 de setembro pela Dirty Hit e que irá suceder ao debutante My Love Is Cool de 2015. Caso para dizer, a visão como um todo e que apura os restantes sentidos.