Wunder Wunder - Everything Infinite
60%Overall Score

E tudo é infinito. Porém, e só para esclarecer desde sempre a questão da infinidade, o infinito só parece não existir porque não lhe vemos o fim, não quer dizer que não exista; se tudo fosse infinito, este primeiro tema do álbum dos Wunder Wunder nunca mais terminaria, bem como este texto. Felizmente, há frases bem mais pequenas.

Como se nascidos da mistura de uma Radler com uma Green, este álbum de estreia, este Everything Infinite, não me parece nada que valha a pena beber a noite toda. No entanto, se a companhia for boa, e só para não ouvir a histérica da mesa do lado a contar a vez que se vomitou toda e acordou a cheirar a mijo de gato, os Wunder Wunder são quase ideais para grande parte da noite. E quase porque aqui e ali há uns quantos rasgos de genialidade rapidamente abafados pela clara vontade estúpida de chegar aos tops pela imitação barata de tantas outras coisas, em vez da originalidade que tanto peca por escassa nos dias que correm lentos, nublados e às vezes molhados para a noite. Mas felizmente há frases curtas.

E eis que chegados à quarta epopeia desta infinidade, o cansaço da monotonia de cada momento espreita na esquina à frente e tira-nos a vontade de continuar. Não quero mais Radler, não quero mais Green. Quero uma cerveja. Metam o sumo de limão nas febras de porco que estão a temperar para o almoço e dêem-me uma cerveja a sério. Mas tal como o infinito que não se vê o fim, também neste álbum não se vislumbra algo que realmente me faça sentir cansado de tanto saltar, de tanto pontapear ou de tanto gritar. Só me apetece dormir, nem cansado nem satisfeito, só para acordar amanhã num novo dia finito, com coisas finitas e sem esta infinidade que já me atrofia o raciocínio. Epá, frases curtas.

Curtas, directas, a vida vive-se rapidamente, sem perder tempo nestas infinidades todas, chatas e insonsas. Não levem uma eternidade a lembrar bons momentos, a percorrer a estrada, nostálgica ou não, não matem o povo de tédio. Não relembrem bons momentos, criem-nos. Parem de se meter na vida das pessoas, com manias de orientar quem não sabe onde está. Amanhã de manhã elas vão perceber onde estão; não precisam de mãezinhas; deixem-nas descobrir por elas próprias. Não sejam chatos. Vão lá ser rockers, se faz favor, larguem a ribalta logo desde pequeninos, senão nunca vão saber o que é ser.

Ideal para quem compõe, grava, produz e ouve música em biquinhos de pés para não acordar o guarda-nocturno. Play it low. Boa noite.