Yip Deceiver - Medallius
60%Overall Score

Lá muito longe, no outro lado do Atlântico, também há uma Atenas. Fica na Georgia, aquela que estava na mente do Eric Clapton. Athens é uma daquelas cidades norte-americanas iguais a tantas outras, de onde toda a gente quer sair. Que é o mesmo que dizer: dava um belo filme sobre alguma coisa fantástica que se passa numa daquelas cidades norte-americanas iguais a tantas outras, de onde toda a gente quer sair. No meio da acção, haveria lugar para algo que pareceria ser ou circunstancial ou capricho do argumentista e/ou realizador: A passagem de ano de 2010 no 40 Watt Club, um bar como tantos outros bares naquelas cidades norte-americanas iguais a tantas outras, de onde toda a gente quer sair. Porque foi aí que Davey Pierce e Nicolas Dobbratz, membros dos Of Montreal, actuaram como dupla dinâmica chamada Yip Deceiver. Diz quem lá esteve que foi um belo revéillon. Não houve fogo-de-artifício mas houve ritmos funky. Ninguém viu ninguém comer passas mas houve synthpop. Ninguém quis saber da roupa interior azul de ninguém enquanto houve electro. E as garrafas de espumante foram abertas ao som dos 80’s restilizados com mestria. E houve dança, muita dança. Ainda há. O EP homónimo saiu no ano seguinte e, de repente, Athens era demasiado pequena. Não é que os Yip Deceiver tenham descoberto a pólvora. Não. Nada disto é propriamente novo. Mas é dessa assumpção que nasce a descontracção com que este Medallius, agora nas prateleiras das lojas, deixa o mundo à vontade para festejar. É só disso que se trata. Festa.

Em “Presets”, podemos logo deixar os julgamentos de lado; os Presets, as comparações com outras “correntes”, tudo. É mexer os pés e erguer os braços. Em “Get Strict” tudo é electrónica, à excepção de um dedilhar de guitarra a humanizar, como um lembrete que não nos deixa cortar o cordão umbilical com algo que está cá dentro, mas não sabemos muito bem o que seja. Talvez não seja um tema que ponha uma multidão a dançar em festa. Mas faríamos uma festa se alguém a usasse numa performance de dança de uma ou duas pessoas. Fica a sugestão. Agora sim, em “Lover”, podemos chamar, sem culpas, os 80’s, que são para aqui chamados para celebrar antes de chegar o divertido (sim, é a palavra) “World Class Pleasure”, oferecem-nos os Yip Deceiver como um serviço apregoado num anúncio publicitário de um hotel cheio de classe e design num destino paradisíaco: “Walked between the doors, questions to fill the holes”, oh yeah. Em “Go On” há novamente as guitarras para enganar a malta. Até há uma bateria. Só o sample do saxofone era desnecessário, mesmo que a sua plasticidade seja propositada. Não é um mau tema. É só o pior do disco. A “balada” (sim, como se estivéssemos nos 80’s) é o tema “Color Me In”. Muito bem feito, assumidamente electro, com tudo o que o electro tem direito e concede, em troca, prazer. Tudo aqui é belíssimo, a ponto da dupla ter achado necessário um “solo” de sintetizadores a ocupar todo o último um quarto da faixa. Em “Obnoxia” estamos perante o típico tema que daria uma trilha sonora para um comercial de verão, jovens com menos de 25 anos como alvo. O baixo é inteligentíssimo, o refrão é catchy. Viva a pop. Em “2nd Son Of A Second Son” poderíamos fazer a óbvia comparação com Iron Maiden, até porque afinal estamos em território dos 80’s. Mas a ser, seria Plastic Maiden, sintetizadores ao alto. A nona faixa é um “Theme” que nos reservamos ao direito de saltar, sob risco de não avançar mais. Um disco que, sendo mesmo Mais, não deveria ter temas mais-do-mesmo. Em “Tops Part II” dá-se um pulinho ao hip hop e, para fechar com chave áurea, a pura diversão de “Double Future”.

Aliás, vamos já todos a caminho dos festivais de Verão, começamos antes de toda a gente chegar e aproveitamos e pintamos tudo de cores vivas. “Medallius é uma atitude e um estilo de vida”, afirma Dobby. Parece sério, não é? Pois. Mas ao rematar com “é manter uma atitude elegante por mais trashy que seja a situação”, dá bem para perceber onde estamos. Aqui. E dificilmente saio!