Left With Pictures
Left With Pictures

A britishnicidade e o nevoeiro electro dos Left With Pictures

Fica difícil alienarmo-nos da subtileza do tom, da delicadeza da construção, das pequenas  lascas de electrónica fina e cósmica, dos pequenos laivos de orquestras e chamber pop quando os pianos revestidos pela largura e solidão dos ecos que marcam os instantes iniciais  de “The Night Watch” nos falam directamente ao coração. As paisagens circulares e a nostalgia levitacional dos sintetizadores de “The Night Watch” não se escondem por detrás do nevoeiro electro dos White Lies, nem da britishnicidade dos The Smiths, nem da voz de Toby Knowles a reavivar-nos na memória um Antony pré-Anohni menos ambínguo e mais seguro, nem da teatralidade – aqui mais subtil – dos orgãos anciãos de Patrick Wolf.

Expansivo, vasto e cinematográfico, tudo nesta narrativa confessada à média-luz é magnífico, encantador e preenche-nos a alma com a sensação reconfortante de um “All who love you/will be here”. O tema integra o alinhamento de Afterlife, o próximo disco dos londrinos Left With Pictures, pronto para nos arrebatar a existência a partir de 29 de Abril via Organ Grinder Records. Produzido por Richard Formby (Wild Beasts, Ghostpoet, Darkstar), Afterlife é o terceiro disco da banda e herdeiro de Beyond Our Means e In Time. De largar tudo e ouvir sem restrições já já.