A classe folk experimental dos Califone ao serviço do ballet em 'Echo Mine'
85%Overall Score

Através dos 22 anos que foram passando desde que o disco homónimo de estreia batia nas prateleiras das lojas de discos, os Califone foram tudo menos uma banda fácil, tanto de acompanhar como de amar, fosse pela solenidade quase arrogante e catedrática da sua música, fosse pelo peso emocional que colocavam em cada uma das suas construções. Tijolos de terracota de folk e americana construíam as paredes rock do projecto originalmente a solo de Tim Rutili mas cedo e bem depressa se foram mutando em blocos de som poliformes. A experimentação jazzística que definia as raízes do post-rock original debatia-se constantemente com o conceito original da banda e com aproximações mais escorreitas ao que se entendia então como um som indie rock.

Os Califone são ainda hoje – e fiéis a uma carreira sem quererem chegar a uma linha da frente de nada -, uma instituição para a liberdade estética e criativa destes géneros. O último bloco colocado pelo agora trio no edifício imponente da discografia dos Califone – além de Tim, fazem parte da banda o produtor Brian Deck e Ben Massarella, dos Modest Mousse – chama-se Echo Mine e foi escrito para uma performance de dança de Robyn Mineko Williams, coreógrafo norte-americano.

Um álbum que foi crescendo de forma sincronizada com a criação dos movimentos para a nova peça de Williams mas que vive de forma independente e grandiosa como um elemento autónomo. Sete anos depois de Stitches, os Califone regressam sem pompa nem circunstância, felizmente e como sempre, mas com a classe e a capacidade de encontrar fissuras no seu livro de estilo para irem forçando mais excelência a uma carreira exemplar e, verdadeiramente, independente.