Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt – o título do próximo álbum de Moby -, apresenta-se no pretérito passado, mas tanto os seus alvéolos sonoros de pendor electro-ambient como a genética visual que o britânico tem construído em torno do disco, têm-se feito de construções cinematograficamente deslumbrantes e poderosas que criam uma atmosfera tão bonita como dramática e que dificilmente desbota com a passagem do tempo.

Com o foco bem assente num mundo enquanto elemento biológico que vai definhando às mãos de uma sociedade moderna e que vai sofrendo as consequências das acções e decisões (in)consequentes dos terráquios, a sequência visual para “This Wild Darkness” segue a linha pós-apocalíptica do anterior “Mere Anarchy“, e sugere que o futuro tenha que ser construído num espaço extra-terrestre, se se mantiver a velocidade da destruição dos dias de hoje.

O novo tema de Moby para o seu registo de estúdio número 15 em 26 anos – Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt tem data de lançamento marcada para a próxima sexta-feira (2 de Março) pela Little Idiot/Mute -, denuncia a sua visão que o planeta é, também, um lugar negro. Moby estabelece um diálogo pessimista a roçar o spoken word numa electrónica expansiva de pulso lento com o Gospel Choir of Los Angeles, que se encarrega de trazer para a narrativa uma réstia de esperança nas suas mensagens de fé.

Richard Hall, activista pelos direitos dos animais, continua a explorar a temática da destruição do planeta e da irresponsabilidade e sem visão de futuro com que o tratamos, depois de no ano passado ter editado uma colecção de canções de forma gratuita sob o título More Fast Songs About the Apocalypse. O músico anunciou no fim-de-semana passado que os lucros recebidos com a venda do álbum reverterão para associações que apoiam a sua causa de eleição.

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