Rhain Humdrum Drivel
Rhain Humdrum Drivel

A gradação paradoxal de Rhain

E se à primeira nos vem à memória a voz e o carisma de uma Kate Bush ou a ambiência translúcida de uma Susanne Sundfør, à segunda cai a memória, desfazem-se as comparações, os rótulos e “Humdrum Drivel” revela uma Rhain em dilúvio de emancipação, de maioridade assumida e de conteúdo e essência independentes. Embora, verdade seja dita, se continuem a ouvir os pianos de laivos românticos de Patrick Wolf em formato acústico, daqueles que nos embelezam os dias de cada vez que se roda um “Sundark e Riverlight”.

Se a voz carrega os horizontes longínquos da Isle Of Wight ou Bristol e denuncia o espectro musical do sul de Inglaterra, a tónica inebriante nas aliterações e a cristalinidade nas palavras e no tom, a música emana a fineza e a classe dos grandes salões e teatros victorianos de Londres.

A teia mais fina da malha de “Humdrum Drivel”, o single de estreia da Rhian Teasdale que conta com a colaboração de Alex Lee (Florence & The Machine) na guitarra, John Parish (PJ Harvey) na guitarra e Ali Chant (Youth Lagoon),  entrenha-se nos arrepios intimistas de uma Rhain de causar calafrios muito bem-vinda em qualquer altura do ano. E que chova. A cântaros, se for preciso.

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