Alphafox e 'La Haine': trap experimental contra os curtos de mente
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25 anos depois da estreia, em maio de 1995, do filme La Haine, alguém resgata o título do filme de Mathieu Kassovitz e relança-o com uma visão cirúrgica para os nossos tempos.

Se em 1995, França e Paris estavam debaixo de fogo com a população nas ruas contra a austeridade do governo de Alain Juppé – olá, coletes amarelos -, se o mundo vivia ainda na primeira pessoa a memória de muito do que foram anos e décadas de ditaduras da esquerda à direita – olá, Johnson, Bolsonaro, Trump, Netanyahu, Maduro, Kim Jong-un -, se o racismo, xenofobia e o ódio ainda eram figuras presente no dia a dia de tantos – olá, massacres da Nova Zelândia, Estados Unidos, Alemanha, Mali, Marega, Balotelli, Pjanic e (um grande e triste) etc -, o que mudou de lá para cá? Uma coisa não mudou: a necessidade de chamar os bois pelos nomes.

Alphafox edita o seu álbum de estreia, e de dentro de um estranho cocktail molotov de hip-hop, electrónica, trap e experimentalismo vai desfiando um disco de tensão violenta mas contida, de exploração de elementos sónicos díspares e cinematicamente futuristas.

Com a mira nas tensões raciais, na luta de classes, na bestialidade do ser humano, o californiano vai disparando beats e balas de ruído feitas da mesma matéria-prima que ajuda a moldar o trabalho de Oneohtrix Point Never, de DJ Shadow, Flying Lotus, Actress e Blanck Mass. Um disco obrigatório de vanguarda e desconforto.

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