Nascidos no calor australiano e directamente de Perth – e já com histórias de notável sucesso no festival CMJ Music Marathon em Nova Iorque no ano passado –  o trio Methyl Ethel editou no final de Fevereiro o disco de estreia Oh Inhuman Spectacle. E logo ao primeiro LP receber louvores de grandes nomes como da compatriota Courtney Barnett não é bem para todos.

Jake Webb (guitarra e voz), Chris Wright (bateria) e Thom Stewart (baixo) fecharam-se no quarto de Jake e fizeram desse espaço o local onde tudo começou. Não só pelas diferentes e distintas faixas mas também pela harmonia entre as letras, a androginia vocal e todo o ambiente synth imaginem-se as guitarras provocadoras e as bizarras e fantásticas melodias que eram produzidas num simples quarto.

“Twilight Driving” é sem dúvida o maior exemplo que reúne todas as características que definem esta banda. O lado instrumental que se insere perfeitamente na melancolia e mistério da letra, o vocal de Jake que nos leva a entrar profundamente na sua voz efeminada. Carreguem no play e tentem dar uma volta à meia noite com a “Twilight Driving” onde o fascínio e o prazer fazem parte de um poema musical.

“Rogues” por sua vez leva-nos automaticamente a questionar a enorme influência com bandas como os Tame Impala, Modest Mouse, Silversun Pickups ou até os Arcade Fire tem nos Methyl Ethel. Mas também nos leva para um outro caminho, um particularmente especial,  o de uma obscuridade que é transmitida nas letras. Fechem os olhos, ouçam-na e entrem noutro universo: “aliens, aliens, aliens, I got abducted by the aliens, they said do you plant a seed, and I’ll watch you grow, I saw squares in the windows became the squares”.

Um cruzamento de indie pop com experimentalismo como este não é fácil de se concretizar mas eles fazem como mestres. Para acabar a apresentação e começar a amar os Methyl Ethel é imprescindível passar os olhos pelo video oficial para a música que abre o álbum, “Idée Fixe”, ou sobre o próprio Oh Inhuman Spectacle. Ambos aqui em baixo.