Black Bananas
Black Bananas

Black Bananas @ ZDB

Áureos foram os anos 90 quando Jennifer Herrema e os seus Royal Trux se estabeleceram como reis do underground de L.A. Numa época em que o grunge rompeu o mainstream e as grandes labels apostaram em bandas como Nirvana e Pearl Jam, os Royal Trux gastavam o dinheiro dos contratos em droga e bebida, continuando inequivocamente ligados ao “eu faço o que eu quero e como quero” dos outcasts do rock. E assim nasciam mais estrelas no firmamento daquelas que não tinham medo de desafiar a indústria.

O som dos Royal Trux em nada foi abalado pelos seus excessos e rebeldias, antes pelo contrário; Herrema e Hagerty eram esponjas de tudo o que o rock tinha oferecido de melhor até à data, misturado com o rap dos subúrbios e não o rap gourmet das grandes massas. Tudo isto com um pouco de Chocolate City, e era ver nascer um grunge original, único e descomprometido. Jennifer tornara-se num ícone do rock e da moda, com um culto de fãs um pouco por todo o mundo.

Com o fim dos Royal Trux e da parceria entre Jennifer Herrema e Neil Hagerty, seguiram-se os RTX e os Black Bananas que, apesar de tudo, não foi um final written in stone, já que Hagerty escreveu duas das músicas do novo álbum Electric Brick Wall que foi apresentado no passado dia 1 em Lisboa.

Podres de nós, portugueses, que não fomos abençoados pelo furacão da inconformidade na década certa. Pela primeira vez, Jennifer vem a Portugal e, como conta, só o nosso país e a Islândia nunca foram premiados com a sua irreverência. Mas o concerto na ZDB provou que os Black Bananas soam bem em disco, mas soam a desgraça em palco. Uma daquelas desgraças das quais não conseguimos desviar o olhar. É como ver um comboio a descarrilar e de tão petrificados nem chamamos por socorro, ficamos para ver se realmente se safou alguém. É mórbido e delicioso.

A sonoridade do álbum, que arrecadou inúmeras críticas positivas da indústria, merecidamente, é um esboço e uma ténue névoa ao vivo. Poucas músicas são reconhecíveis, não só pelos arranjos esquizofrénicos como pela falta de consolidação da voz da Jennifer que, recebe créditos por ao menos conseguir estar de pé.

Parece um fim de uma festa de casamento onde sobram os ébrios que não percebem bem porque é que ali ficaram.