O segundo e último álbum de Charli XCX, Sucker, completou em Dezembro do ano passado três anos de rotação e, desde então, a britânica tem iludido o tempo e decorado a discografia apenas com um EP – Vroom Vroom, editado em 2016 -, e duas mixtapes – Number 1 Angel e Pop 2 -, que se veriam ambas enredadas no emaranhado de fios electrónicos dos players exclusivamente digitais durante 2017.

O que parece não arrancar é mesmo um terceiro longa-duração de Charli, algo que constitui um facto meramente decorativo e irrelevante no que respeita a digressões. Não se promove um disco novo, mas porque não andar pelo mundo a derramar os confettis synthpop das duas mixtapes mais recentes? Foi precisamente isso que Charli passou boa parte do ano a fazer: uma tour que a levou, em Dezembro, até ao recanto mais longínquo do hemisfério sul, a.k.a. Nova Zelândia e Austrália. Não é de estranhar por isso, que a britânica tenha aproveitado para fazer uma pequena visita à rádio Triple J para actuar no programa  Like A Version, famoso pelas novas formas que canções de outros artistas assumem nas mãos e nos instrumentos dos músicos convidados.

A canção escolhida? Pois, “Don’t Delete The Kisses” dos compatriotas Wolf Alice, um tema atmosférico, expansivo e de synths dreamy do segundo álbum Visions Of A Life lançado em Setembro passado, que coloca a banda de Ellie Rowsell a flutuar para bem longe das guitarras corrosivas, apresentado assim de forma natural as características perfeitas para atrair Charli XCX a fazer a sua própria reinterpertação.

O que poderia ter ficado apenas confinado aos estúdios da Triple J, alargou os seus tentáculos a horizontes mais largos. E é assim que surge, sem grandes surpresas para quem acompanhou de perto a primeira parte da história, um remix em estúdio, gravada como manda o figurino e com todos os ingredientes que tornam imediatamente reconhecível a ocupação dos domínios da canção por parte de Charli XCX, como os enormes castelos de synths a roçar a darkwave e as distorções de voz através de auto-tune. “Don’t Delete The Kisses” marca assim uma espécie de colisão entre mundos biologicamente bastante semelhantes e o encontro oficial entre ambos os universos. Para ver e ouvir já aqui em baixo.