A Associação Transforma abre as portas a um baixo, duas guitarras e uma bateria. À primeira vista, o espaço parece estranho para se fazer um concerto pois estamos debaixo de umas arcadas que nos conduzem a um open space (o que parece ter sido uma loja) dividido por umas estruturas de madeira formando enormes caixas envoltas em plástico (de repente parecem esqueletos de soumiers) que depois de contornadas e passando pelo merchandising, ficamos praticamente a conhecer o espaço todo. A faixa etária bate-se nos 20 e muitos, mas nem isso faz o público chegar-se logo à frente, o que aconteceu só depois de alguma insistência do vocalista).

Os Dapunksportif podiam ter nascido em Palm Desert, Califórnia, pois a potência pesada de umas guitarras rasgadas combatem com a bateria, o motor desta banda. Dapunksportif têm algo de QOTSA, sobretudo avaliando pelas primeiras músicas, mas nada disto tira mérito a estes senhores que sabem o que estão a fazer em palco. Potente… muito potente, mesmo com o público afastado do palco. O som é quase perfeito, exceptuando o facto de não se ouvir muito bem o baixo quando estão todos ao mesmo tempo a debitar som… do bom. E é com a música “LSD” (música para acalmar, segundo Paulo Franco, o vocalista) que o registo sonoro muda um pouco para melhor ainda. Com quase 10 anos de estrada, a atitude em palco é coesa e sempre a debitar potência com a intensidade de quem faz parte de uma máquina muito bem oleada. À medida que o concerto avança, também o público avança, mesmo sem se mexer muito, e as músicas vão adensando a potência. Com a frase “Money is never enough”, os Dapunksportif confirmam um turbilhão sonoro, produzindo uma espécie de inundação sonora vinda do palco. Nem o facto da corda da guitarra do vocalista se ter partido e do microfone também ter deixado de funcionar fez diminuir o empenho da banda. Neste concerto, a música não pára nem abranda e isso é mérito de quem pisa o palco. Grande cumplicidade e boa comunicação entre os membros. A banda conduz o público sem pausas para respirar fundo até ao final do concerto que não abranda nunca o ritmo até à ultima frase do vocalista: “Quer o rock esteja na moda ou não esteja na moda, nós vamos estar por cá” esperando que nós também.

Dapunksportif em nada tem a ver com punk. Talvez só na atitude ou então está muito bem disfarçado pelos riffs de guitarra, no baixo solto ou pela bateria incansável. Em suma, um bom, muito bom concerto.