Dom La Nena @ C.C.B.

Dom La Nena @ Misty Fest’15

Dois anos passaram desde que Dom La Nena, a brasileira Dominique Pinto, pisou os palcos do festival Misty Fest. Na altura fez-se acompanhar pelo grupo Danças Ocultas, naquele que foi um dos concertos mais aplaudidos dessa edição. Agora, em 2015, a violoncelista subiu ao palco do Pequeno Auditório do CCB para apresentar o seu segundo e mais recente disco Soyo.

Com uma sala praticamente cheia, decorada com estrelas e fitas que relembram as festas de Natal das escolas e um palco com variados instrumentos – uma bateria, uma guitarra, um cavaquinho, uma pandeireta e claro, um violoncelo –, às 21h10 as luzes apagam-se e o espectáculo começa.

Dom entra em palco apenas acompanhada por uma caixinha de música, caminhando pelo palco inteiro como se estivesse a praticar uma marcha fúnebre até chegar ao microfone e soltar o que tem de melhor: a voz. Quer seja em brasileiro, espanhol ou em francês, sentimos cada uma das palavras que nos (en)canta. Rapidamente, lança-se ao violoncelo para tocar o tema “Llegaré”, um dos seus mais conhecidos, onde é acompanhada por sons pré-gravados e recorre ao uso de loops. Ao início, um até poderia pensar que estávamos perante alguém tímido que se “esconde” por trás dos seus instrumentos e deixa que sejam eles a falar mas estaria completamente enganado; a artista mostrou-se sempre bem disposta, revelando que estava desejosa por voltar a Lisboa, visto que grande parte dos seus temas foram cá gravados.

A felicidade por estar de regresso ao nosso país não era só evidente, dedicando as músicas “Buenos Aires” a um fã argentino e “Lisboa” ao resto do público (para não ficarmos com inveja, troça), como contagiante quando, a meio do concerto, a sala ganha meio brilho (as estrelas e fitas previamente mencionadas emitem luz) e a artista convida todo o público a meter-se de pé e a dançar. “Como eu não sei sambar, preciso que me mostrem o vosso samba do fado. O vencedor, recebe um CD” desafia a artista. A adesão foi pouca no início mas no final, meio auditório estava de pé. Sabendo que o público português conseguia mais, “obrigou” todos a meterem-se de pé e aí sim foi feita a festa: todos dançavam, batiam palmas e riam, havendo mesmo fãs a irem dançar para o palco por iniciativa própria e para delírio de Dom. E sim, o CD foi entregue.

Tendo conquistado o público, Dom não se conformou e mandou mais uma das suas cartadas. Acompanhada de um cavaquinho todo iluminado, toca “Juste Une Chanson”  percorre o auditório pelo meio do público enquanto distribui sorrisos e convida o público a cantar; Dom era o maestro, e o público a orquestra. Agora sim, tinha o público na mão. Ainda houve tempo para os principais êxitos da artista, como “Golondrina”, e até mesmo para duas covers, “Felicidade” de Lupcinio Rodrigues e “Start a War” dos The National,  uma das mais aplaudidas da noite. Com o final do concerto a aproximar-se, antes de tocar a “Carnaval”, agradeceu a todos os que encheram a sala, por a terem feito sentir-se bem vinda e confessou o amor que sente por esta cidade. Para encerrar o concerto, agarra na mesma caixinha de música com que o começou e volta a caminhar o palco na sua marcha fúnebre, saindo como entrou, só que desta vez, recebeu uma ovação de pé.

Para o encore, volta a pedir ao público que cante consigo e com o seu cavaquinho, deixando o público a cantar “Juste Une Chanson” enquanto corre pelo auditório para ir para o posto do merchandise  autografar CDs e tirar fotografias. O Misty Fest é um festival que se caracteriza pela possibilidade de os artistas oferecerem ao público espectáculos de uma maior proximidade e intimidade. A julgar pelo que se viu neste concerto, Dom La Nena não só cumpriu esta tarefa como teve certezas que o amor que sente pela cidade de Lisboa é recíproco.