Florence And The Machine

Florence + The Machine de volta a Lisboa em Abril

Depois da estreia em 2010 numa Aula Magna absolutamente pelas costuras e de repetirem a dose no então Optimus Alive, Florence + The Machine regressa para colmatar o cancelamento de 2012 no mesmo palco do Alive mas desta vez em nome próprio. Apesar do palco já lhes ser conhecido desde o SBSR deste ano onde encerraram em apoteose o palco principal da edição 2015, Florence Welsh, Isabella Summers, Robert Ackroyd, Christopher Lloyd Hayden, Tom Monger, Mark Saunders, Rusty Bradshaw voltam ao nosso país a 18 de Abril do ano que vem para apresentar o ainda muito recente How Big, How Blue, How Beautiful. A Meo Arena acolhe aquele que será certamente um dos grandes e imperdíveis concertos do ano que aí vem.

Florence + The Machine, Lisboa, 18 de Abril
Florence + The Machine, Lisboa, 18 de Abril

Between Two Lungs apanhava tudo e todos de surpresa em 2009. Canções que das sombras de um anonimato pouco mais que completo lançaram Miss Welsh e os rapazes que dão corda à sua maquina para a tomada dos livros de história das tabelas indie, das tabelas mainstream, de palcos de entregas de prémios, de vídeos enormes na sua magnificência, grandiosidade e mestria épica, na manufactura de lendas pop para um lugar que poucos que militam na categoria de “real musicians” podem almejar na era dos hinos descartáveis e dos sucessos sem nome num ipod. Os Florence + The Machine ficam para sempre marcados ao final da primeira década do milénio e canções como “My Boy Builds Coffins”, “Drumming Song” ou “Bird Song” são bandas sonoras de momentos especiais, companhia de suspiros tristes para despedidas e conforto para finais de histórias. Para não ir directo claro aos enormes “Dog Days Are Over” e “You’ve Got The Love” que ocuparam boa parte das ondas hertzianas de rádios por todo o lado.

Dois anos depois a banda Londrina lança Ceremonials. Um marco evolutivo na sonoridade típica de Flo, um crescendo na face pop das composições que ao mesmo tempo caminhavam em várias direcções mas sempre dentro da mesma camada energética na qual Welsh reveste uma sonoridade tão única e tão cheia de ecos de outras mulheres enormes. Ceremonials é Florence a ultrapassar espelhos, a deixar para trás as sombras de  nomes como Kate Bush, PJ Harvey ou em tempos mais próximos de nós Joanna Newson e Natasha Khan, a menina Bat For Lashes, assumindo-se como uma das mais incontornáveis escritoras de canções da actualidade e deixando para trás toda a concorrência saindo disparada da estratosfera em direcção a Alpha e Omega e a tudo entre o principio e o fim. “Only For A Night”, “No Light, No Light”, “Spectrum”, “Never Let Me Go” ou “What The Water Gave Me” são gemas raras, são canções de excelência, são a tribalização das batidas da pop nas portas do Eden, são a sensualização extraterrena de algo que nunca caminhou a terra. Olá, Wenders, tens aqui um novo anjo, vamos a Potsdamer Platz novamente mas desta vez com Miss Welsh?

Seis meses depois das 12 badaladas nos oferecerem um novo ano chega para caminhar no mundo How Big, How Blue, How Beautiful. O terceiro disco de Florence + The Machine supera-se a si mesmo e às expectativas deixadas pela evolução de Lungs para Ceremonials funde-se em si mesma para criar o mais homogéneo e concreto disco do colectivo britânico. Não falta nada que fez os contornos especiais dos dois primeiros trabalhos mas é acrescentado um brilho polido que só mesmo uma sensibilidade cada vez mais apurada enquanto compositores de canções e acima de tudo enquanto percepcionadores das quantidades exactas de alma e mestria, de corpo e exuberância, de punch e de subtileza ao ponto de mais que ser possível dar nomes e destaques sente-se um disco como um todo, onde toda e cada canção não vive sem a outra mesmo vivendo isoladas enquanto singles como “Lover To Lover”, como “Ship To Wreck” – o single que apresentou primeiramente o disco – ou a sublime “St. Jude”.

Antes de How Big, How Blue, How Beautiful um MTV Unplugged despia os temas maiores e mais mediáticos de Florence + The Machine e mostrava que bem que toda a grandiosidade das canções de Florence ficava vestida de subtilezas e suavidades. Josh Homme dos Queens Of The Stone Age descia da sua fúria e partilhava um momento inesquecível com Flo Welsh, a cover de “Jackson”, original de Johnny Cash.

 

“It’s hard to dance with a devil on your back so shake him off”. Não é nada, olha só o que fizeste com ele sentado ao teu lado. Venha Abril depressa!