Com um orçamento quase hollywoodesco, Grimes lança o seu mais recente vídeo para o seu último álbum Art Angels de 2015. “Venus Fly” é um tema colaborativo com Janelle Monáe, ícone do r&b norte-americano – quem não se lembra da sua participação em “We Are Young” dos Fun? -, cujo vídeo teve o apoio do TIDAL, plataforma de streaming que, momentaneamente, o guardou só para si, disponibilizando apenas 1 minuto para os não utilizadores do serviço detido em parte por Jay Z.

A excentricidade inerente às personagens já espalha brilho e identidade por si só. Adicionemos um orçamento considerável (bem rechonchudo, diga-se), outfits provenientes de uma possível tribo espacial de um futuro próximo, espadas flamejantes, câmaras de alta-velocidade com planos muito fechados, efeitos especiais e brilhantes, muito brilhantes… A cantora e simultaneamente realizadora do vídeo confessa: “usámos câmaras Phantom para criar a sensação de suspensão temporal”, enquanto agradece ao TIDAL por lhe dar a oportunidade de “criar imagens que imaginei apenas na minha cabeça”.

Dos loops, do experimentalismo despretensioso e da quase inocência de Visions aos bangers de Art Angels, a música pop da Grimes, foi conquistando e abandonando públicos bastante distintos. Colheu frutos do experimentalismo, da musicalidade hipnótica que nos transmitia com as suas synth-lines ligeiras e semeou as sementes em músicas ambiciosas mas mais radio-friendly e comerciais, como é esta “Venus Fly”.

É este caminho excêntrico e épico que Grimes parece traçar e devemos aguardar música nova para o confirmar… “Parece fútil fazer arte num contexto político tão rude e cruel”, diz Grimes. “Grande parte do meu alento, e do de alguns de vós suponho, vem de ver a fantástica e positiva visão de futuro da Janelle”. Não podendo sobrevalorizar o impacto da arte na política, devemos assim reconhecê-lo, apoiá-lo e identificá-lo como relevante na sociedade.