No passado dia 14 de Maio, a cave do Café au Lait recebeu os Glockenwise num concerto motivado pela apresentação de Heat, o terceiro longa-duração do quarteto. Retratada por silhuetas em contra-luz, excepto o  baterista em quem as cores projectadas no fundo branco se reflectiam, a banda iniciou a sua actuação num contexto intimista, propício à divulgação de novidades musicais.

Subordinada à potência da bateria, “Cardinal”, faixa de abertura do novo disco, inaugurou um alinhamento com certificado energético mas foram as vozes abafadas de “Lasting Lies” somadas à supremacia de “Scumbag” que definiram o legítimo vigor do garage rock da banda de Barcelos. “Bad Weather”, revisita ao álbum Leeches de 2013, incorporou um longo instrumental, impulsionado por cúmplices guitarras impacientes, que marcaram mais uma vez o dinamismo turbulento dos Glockenwise.

“(Not A) Try Hard”, introduzida por uma reflexão sobre a  incapacidade do grupo em escrever simultaneamente sobre o amor e o tempo presente, traduziu-se em melodias expansivas que culminaram num acompanhamento ressonante de sintetizador. A viagem ruidosa continuou com “Super Villain”, “Leeches” e “Tide”, guiadas por territórios efervescentes e distorcidos, enquanto “Heat”, faixa-título do novo álbum espelhou as influições sónicas do colectivo, relembrando a sua “relação infinita com o Porto”. O público permaneceu calmo e contemplativo perante a apresentação do grupo, não emanando a mesma energia fruída pelas músicas, instruídas de uma fusão shoegaze e post-punk, conduzidas pelo garage rock como principal ingrediente.

Para a despedida guardaram “Time to Go” findada numa mutação de ritmos por uma bateria ansiosa e vigorosa, que por fim conquistou o entusiasmo da audiência.

A banda saiu de cena comprovando a evolução adquirida com o novo álbum, justificada por temáticas mais maduras que comprovam a sua importância no panorama da música actual.

As imagens da noite dos Glockenwise na cidade do Porto:

Glockenwise @ Café Au Lait