Greg Dulli dos Afghan Whigs abre o seu diário sem cadeado no poderoso 'Random Desire'
88%Overall Score

Greg Dulli – Random Desire (BMG)

The Gutter Twins com Mark Lanegan, The Afghan Whigs, The Twilight Singers. Dulli dispensa mais apresentações além da obra que já leva nos seus quase 55 anos aqui pela Terra. Um músico altamente criativo que se fez gigante nos anos 90 com os Whigs e que os soube renascer, depois de um hiato de dez anos entre 2001 e 2011, para uma segunda vida. Não voltaram para relembrar nada mas para acrescentar (até agora) mais dois álbuns imprescindíveis no que toca à arte de se fazer rock alternativo, sensitivo e imponente. Dulli foi e continua a ser um dos compositores mais influentes da sua geração, não sendo nenhum sacrilégio dizer que se não fosse ele não tínhamos hoje os The National e os Interpol no formato que os conhecemos.

Random Desires sucede, passados 15 anos, a Amber Headlights, um disco que ganhou forma depois da morte do amigo próximo de Dulli, Ted Demme, realizador de Blow com Johnny Depp e Penélope Cruz. Dulli mantém a sua assinatura e, mesmo que os desejos de fugir, quase sem se dar conta da sua linha condutora de canções, sejam aleatórios, a forma como se entrega à imprevisibilidade da construção de temas em formato rock e pop perfeita, e aparentemente de uma forma tão natural como sobrenatural, dizem-nos tanto sobre o músico e a obra.

As temáticas são as suas: o álcool, o sexo, o amor carnal e sem corpo, a fé sem religião, a perda e o reencontrar constante de caminhos. O segundo longa-duração de Greg Dulli soa a outra página de um diário sem cadeado. Uma página de guitarras de distorção que soam a Dulli, de guitarras folk assombradas pela memória da revisitação ao cancioneiro moderno norte-americano feito de Johnny Cash, daquela voz que vem desde os anos 90 a cantar o pecado de tudo com a alma pura de quem não tem crença em nada mais do que as suas canções.