Hanni El Khatib - Moonlight

Hanni El Khatib – Moonlight

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Se ao primeiro álbum Hanni El Khatib ainda demonstrava uma certa verdura, o mesmo não se pode dizer do último registo Moonlight lançado há pouco mais que um mês. O músico multi-instrumentista natural de São Francisco de ascendência palestina e filipina que tem como principais interesses, para além da música, o skate e as artes visuais, ao terceiro álbum afirma-se cada vez mais como um dos principais nomes a ter debaixo de olho.

De 2011 para cá muito aconteceu e muito mudou no processo de composição e gravação do músico. No seu primeiro disco, Will The Guns Come Out (2011), Hanni assumia que aquilo não era mais que uma experiência, o simples prazer de criar música. Uma guitarra e uma bateria eram o suficiente para um garage rock que por vezes ia buscar um bocadinho do soul, do funk e do blues que já se começava, assim, a fazer sentir nas composições do norte-americano.

Com Head In The Dirt (2013) a conversa era já outra, daí que se tenha deslocado até Nashville, mais concretamente ao Easy Eye Studios, o estúdio pessoal de Dan Auerbach (guitarrista e vocalista dos The Black Keys) que no papel de produtor do álbum orientou e guiou o seu pupilo no processo de gravação e a um outro nível evolutivo no campo da composição. O baixo, a introdução do órgão em algumas das faixas, bem como o ritmo de bateria, por vezes acelerado, atiram-nos para um tipo de sonoridade mais perto do blues, algo que por vezes nos soa aos The Black Keys de anos passados.

Mas falemos do presente, e o presente é Moonlight. Após um longo período em digressão, o músico “refugia-se” num estúdio em Los Angeles, cidade que atualmente é a sua hometown, e decide assim que é tempo de dar azo a novas ideias e a novos ritmos sem nunca esquecer os velhos riffs de guitarra que sempre o caracterizaram. Sendo, em estúdio, um one-man-band, encarou, desta feita, também o papel de self-producer e gravou, assim, um disco constituído por onze faixas que misturam o garage rock, o blues e até mesmo um cheirinho a soul.

Naquilo que já se tornou um hábito, ou então uma simples coincidência, os álbuns de Hanni abrem sempre com o tema que dá nome ao disco em questão. E a primeira faixa deste Moonlight traz-nos novamente à memória o tipo de som praticado pelos The Black Keys, propositado ou não. A verdade é que até a voz de Hanni El Khatib em pouco ou nada difere da das linhas vocais de Auerbach, mas isso, a nós, pouco nos interessa. Com riffs de guitarra constantes e uma bateria que nos soa quase a jazz e sempre dentro do mesmo ritmo, e um refrão de fácil captação: “All my life I’ve been searching for the moonlight”, está assim dado o mote para mais um álbum repleto de garage rock blues.

Mostrando que os riffs de guitarra e as batidas aceleradas são algo que o define enquanto músico, o próprio demonstra isso mais que nunca em faixas como “Melt Me”, “The Teeth”, “Servant” ou “All Black”. Mas existem também excepções como “Chasin” ou “Home”, que nos mostram o tal lado mais soul do disco. O mesmo se pode dizer da quase balada “Mexico”, que no seu refrão demonstra a grande capacidade de singer-songwriter que carateriza Hanni El Khatib. “Two Brothers”, tema que encerra o disco e que se define pelo seu início algo lounge e lento, mas que vai acelerando com o desenrolar do tema, torna-se numa batida disco combinada em redor de violinos e restantes instrumentos. Ao final da música, sentimos que nos foi contada uma história.

Hanni El Khatib fez o disco que quis, reunindo a sua criatividade e a sua vontade de fazer mais e melhor. E nós, por cá, agradecemos que álbuns como este mantenham viva a essência do rock e do blues.