Heartless Bastards

Sobram dúvidas sobre que linhas se irão escrever no great american songbook quando se falar da nossa época dentro de 40 ou 50 anos. Se o psicadelismo vai vencer, se o simples rock (se é que o rock alguma vez foi simples) vai constar, se as novas vagas de guitarras sónicas vão ter tanto feedback no futuro como os Sonic Youth tiveram no presente ou se simplesmente a historia as vai esquecer e o r’n’b, a soul e o hip-hop vão ocupar as páginas do livro. Seja como for os Heartless Bastards deveriam ter um cantinho dedicado a eles. Mais que não fosse um vestido de Erika Wennerstrom numa parede de um Hard Rock Café algures no mundo era bem mais que merecido.

Não lhes vamos chamar herdeiros de coisa nenhuma mas mais companheiros de uma batalha que nunca terminará. De Patti Smith na voz, R.E.M., IRS Years leia-se, na frontalidade pop, com os ecos sulistas de My Morning Jacket, a folk de Blitzen Trapper o blues de Buckley e o rock em estado mais puro e bruto de Black Keys, Alabama Shakes e Springsteen a adornar as canções os Heartless Bastards  são um dos segredos mais bem conseguidos dos desertos do Texas.

Uma década de discos e kms de concertos fazem do novo disco dos Heartless Bastards uma nova experiência. Sem terem repetido fórmulas nem terem feito o mesmo disco duas vezes em quatro trabalhos de originais o novo trabalho, Restless Ones, anunciado para 15 de Junho próximo com selo Partisan Records (John Grant, Deer Tick, Eagulls, The Wytches), é um conjunto de canções ricas em objectivo, arte e paixão direccionadas e trabalhadas para atingir uma transcendência monumental e uma verdade absoluta sobre a alma do deserto e os desertos férteis da alma.

We took a lot of chances taking the sounds in different directions in order to grow. I don’t ever want to make the same album twice.”

Produzido por John Congleton (St. Vincent, Angel Olsen, Swans) e gravado no Sonic Ranch em El Paso entre Rio Grande e o Mexico, o sitio ideal para nos sentarmos com as canções de  Erika Wennerstrom (voz/guitarra), Jesse Ebaugh (baixo), Dave Colvin (bateria) e Mark Nathan (guitarra) nos “Gates of Dawn” enquanto não chega Restless Ones.

alec peterson sig