IAMX @ Hard Club

IAMX @ Hard Club

Oito anos depois, IAMX volta a Portugal e, desta vez, à cidade do Porto para apresentar o mais recente trabalho Metanoia, no palco do Hard Club. Dia 13 de Novembro contou não só com a presença do camaleão do século XXI, como é por muitos conhecido o britânico Chris Corner, mas também com a estreia dos suíços Veil of Light que foram responsáveis pela abertura do evento.

Veil of Light, o projecto que Michael Ho iniciou em 2012,  editou recentemente o EP Head/Blood/Chest que sucedeu o álbum de estreia Ξ (ksi), lançado em 2014 já com Markus Webber que acompanhou M no palco do Hard Club. Ambos os trabalhos foram a epígrafe do concerto. À primeira vista uma banda que parece um tanto fria, isto porque as letras e melodias estão submersas em melancolia e consternação. Mas à medida que os ritmos automatizados, os sintetizadores, e o feedback agudo e inarticulado da guitarra nos envolve, sentimos um estranho à vontade. O mesmo estranho à vontade acontece com o Hard Club. Um ambiente pesado, pelo facto de a sala ser completamente preta, mas ao fim de algum tempo o meio que nos circunda passar a ser uma extensão do nosso ser. Sendo assim foi o palco perfeito para ser o habitat de ambas as bandas por uma noite.

Em 2007, os IAMX atua pela primeira vez em Lisboa, no Lux, para a apresentar o seu segundo álbum, The Alternative. Disco que vinha consolidar a estética caraterística de Corner, o electro rock, o synthpop, o industrial e ainda memórias do trip-hop que trazia consigo dos seus Sneaker Pimps. Mas já estamos em 2015 e, desta vez, Chris Corner vem mostrar Metanoia, o sexto disco do projecto fundado em 2004, que para além de simplesmente musical se foca também em experiências com arte visual. E estas estiveram fortemente presentes nos cenários apresentados pela banda ao longo do concerto. Assim como nos seus vídeos, as projeções apresentadas carregam um conteúdo visual forte e controverso. “I Come With Knifes” inaugurou a actuação que continuou com músicas da iniciativa mais recente. O ríspido e impiedoso “No Maker Made Me” veio mostrar primorosamente que a banda está a despir-se de uma forma sensual das suas vestimentas mais delicadas. Contudo as melodias agridoces, impacientes e afligidas persistem. E aí temos a definição de IAMX: Chris e a sua quadrilha criam o seu próprio mundo em que a hidrofobia e a hipocondria vivem no equilíbrio perfeito para se desfigurarem numa dimensão harmoniosa. O rearranjo de cada cântico fez a sessão muito mais especial e o feitiço foi quebrado quando entoaram “Spit it Out”. Toda a situação estava repleta de arte e adereços, letras provocantes, temas como orientação sexual, morte, amor, decadência, alienação ou dependência, e a androgenia tão típica do Cameleão. Para além disso, toda a performance foi altamente energética e teatral, com roupas negras e cataclísmicas, pinturas faciais e uma veemência contagiante do vocalista e das condiscípulas Sammi Doll e Janine Gezang, que fez de tudo para reforçar incansavelmente a experiência da audiência. A empatia entre o colectivo e o público não poderia ser mais visível. A voz marcante e profunda de Chris, os sons maquinais do sintetizador com um ar extrâneo, a maneira como foram programados os sons e um encore sumptuoso que deixou o público em êxtase, com faixas adoradas como “Kiss & Swallow” foram dos pontos altos da noite.