Immersion e o regresso ao onirismo analógico

Depois de um apagão de praticamente duas décadas, o duo de techno experimental, Immersion, regressa aos lançamentos em fevereiro. Analogue Creatures sai no dia 5 na sua própria editora, swim ~.

O duo composto por Malka Spigel e Colin Newman surgiu no início dos anos 90 europeus, na ressaca do pós-punk e durante o advento de movimentos marginais e excitantes como o shoegaze e o techno. Não é portanto surpreendente que a música dos Immersion possa agradar tanto a fãs de Echo & The Bunnymen como de The Chemical Brothers ou My Blood Valentine.

A natureza onírica e caleidoscópica do post punk de Spigel e Newman juntou-se, nesta altura, ao perigo e ao procedimento “straight-to-the-point” da música de dança, com a mistura entre os dois a gerar este projecto e a editora discográfica swim ~. Foi justamente desta casa que foram saindo remessas deste tipo de exploração sónica. As batidas frias e os synths assombrados deram origem a bandas como Oracle, Githead, entre outras, das quais Spigel e Newman eram ávidos colaboradores e integrantes até desaguarem posteriormente nos Immersion.

As salvas de sintetizadores e modeladores saturados e distorcidos empilham-se uns em cima dos outros, fazendo com que a música do grupo seja uma mescla de espessas camadas sobrepostas com intensas propriedades psicadélicas. Há uma certa sinestesia nesta sobreposição: a acidez dos temas soa como um sonho meio acordado, esbatido, indefinido, mas subconscientemente progressivo e viajante.

Os drones intensos e as atmosferas circulares, simultaneamente airosas e góticas, reflectiam o negrume adormecido de uma época ao mesmo tempo que contrastavam fortemente com o rock alternativo e o Britpop que eram dominantes nas tabelas. Com três álbuns lançados nos anos 90, sendo o último, Low Impact, um pequeno tesouro do underground datado de 1999, o duo acabou por entrar num período de silêncio, aproveitado para gerir outros projectos, entre os quais, os Wire, de Newman, e os Minimal Compact de Malka Spigel.

Eis que agora, e motivados por uma inspiradora paragem em Nova Iorque para comprar sintetizadores, os Immersion decidem reacender a chama com o quarto disco, Analogue Creatures. Maturados e desenvolvidos desde a passagem do milénio, os novos Immersion não têm medo de reter a sua essência inicial ao mesmo tempo que reconhecem a vontade intrínseca da mutação e da evolução.

Assim, o novo disco exprime-se na continuidade da tendência abstracta e exploratória de sempre e como a mesma vai interagir com novas dinâmicas sónicas e texturas, nomeadamente as das guitarras, que vêm trazer uma nova noção melódica às imponentes paisagens sintéticas. Por agora é possível ouvir já dois avanços.
De um lado, a paranóica “Organic Cities” surge como uma bela peça de pós-punk circa anos 80, com os synths ácidos e sufocantes a conferir uma vibe cinemática ao ritmo do arpeggiator. Depois temos “Always The Sea”, registo mais cálido e progressivo, a lembrar algo saído da carreira dos Harmonica. O disco sai a 5 de fevereiro pela swim ~ .