Jibóia @ ZDB
Jibóia @ ZDB

Jibóia: ‘Massala’ ao vivo na ZDB

Depois de um EP homónimo (2013) e de Badlav (2014), Jibóia, nome pelo qual Óscar Silva é conhecido na música, está de volta aos discos com o seu mais recente trabalho, Masala. Tal como em Badlav, Jibóia continua com as colaborações; enquanto que no primeiro álbum Ana Miró (Sequin) foi a convidada de honra, Ricardo Martins (baterista dos Lobster) assume o papel de segundo elemento. A presença destes convidados tem uma grande influência no resultado final de cada um dos álbuns: Ana Miró ficou encarregue de pôr voz no primeiro disco e agora Ricardo Martins está por trás de toda a parte da percussão, permitindo a dedicação por completo de Óscar Silva às melodias do médio oriente, característica recorrente na música de Jibóia, e marca registada do réptil de Óscar.

A juntar-se à noite de clássico, a chuva e ventania que se fizeram sentir na passada noite de sexta-feira poderiam ter atraído apenas os mais corajosos à ZDB mas, felizmente, tal não foi o caso. Meia hora passada desde a hora prevista, os concertos começaram, tendo a primeira ficado encarregue aos portuenses Torto e ao seu rock puramente instrumental. O power trio veio tocar algumas das faixas mais emblemáticas do seu mais recente álbum Escabroso, lançado no ano passado. Apesar de ser visível que grande parte dos presentes não era conhecedor do trabalho da banda do Porto, a verdade é que muitos foram os que saíram encantados e curiosos com o que ouviram; com apenas três pessoas em palco, Jorge Coelho, Jorge Queijas e Miguel Ramos conseguiram preencher por completo a sala de concertos da ZDB e aquelas que a constituíam.

Durante grande parte do concerto, a banda tocou temas de seguida e sem qualquer tipo de interrupções, salientando-se a progressão natural entre músicas – facilmente se percebia quando uma acabava e outra se iniciava. Poucas foram as vezes em que o trio repousou entre canções, o que foi uma pena visto que estes tipos mereciam muitas mais palmas do que aquelas que receberam. Uma das possíveis razões que justifica a falta de palmas será, provavelmente, o estado de transe em que a música dos Torto deixa os seus ouvintes – muitos foram aqueles que presenciaram o concerto de olhos fechados. Um concerto sólido e que só veio aumentar as expectativas para aquele que prosseguiria.

Vinte minutos de intervalo entre concertos para que o pessoal repusesse a nicotina no sangue, fazendo-se acompanhar de um copo na mão, e as luzes da sala apagaram-se para o ‘evento principal’. Tal como no disco, Óscar Silva fez-se acompanhar por Ricardo Martins para este concerto de apresentação. Em palco encontram-se uma bateria, dezenas de pedais, um teclado e a Fender Jaguar castanha de ‘estimação’ de Jibóia; estes são os elementos que permitem recriar Masala ao vivo.  E foi sobre isso que este concerto andou à volta de: apenas foram tocados temas do mais recente trabalho, ficando de parte músicas de Jibóia e de Badlav.

Nos seus quarenta minutos de duração, as oito faixas de Masala foram tocadas na íntegra e pela mesma ordem que ocupam no álbum, o que permitiu com que “Ankara”, a primeira do disco, conquistasse logo os presentes. Seguindo-se “São Paulo” e “Lisboa”, Jibóia já tinha o público da ZDB na sua mão (as calorosas palmas nos intervalos entre as músicas comprovavam-no). Tal só foi possível com a ajuda da bateria de Ricardo Martins, que permitiu dar (ainda) mais vida aos temas de Masala quando tocados ao vivo, salientando-se a transição do disco para o palco.

Estamos perante um álbum que ganha toda uma nova dimensão quando interpretado ao vivo; se em casa provoca um sentimento de maravilha e de descoberta para com o toque electrónico das melodias do médio oriente criadas por Jibóia, quando é levado para os palcos torna-se difícil de resistir à tentação de nos deixarmos levar e simplesmente dançar ao ritmo da música. Para ajudar à festa estiveram o jogo de luzes e os projectores da sala, que emitiam um fundo branco esverdeado no palco intercalado com formas geométricas pretas que apareciam e desapareciam do palco consoante o ritmo praticado pela bateria de Ricardo Martins.

Quando chegou a altura de “Oslo” dar por encerrada a pista de dança, muitos foram os que pediam/gritavam pela clássica ‘só mais uma’, mas não obtiveram resposta, pairando um sentimento de surpresa pelo concerto ter sido tão curto. Numa noite de fria de temporal, Jibóia não só fez esquecer as más condições climatéricas como aqueceu a alma dos presentes, assinalando um excelente concerto que, apesar de satisfatório de início ao fim, apenas pecou na sua curta duração.

A Jibóia de Óscar e Ricardo pelas imagens de Ana Antunes em baixo.

Jibóia “Masala”@ ZDB

Torto @ ZDB – Fotogaleria

Torto @ ZDB