Joel Wells: Sátiras negras para synths subtis

Depois de comprometer três anos de experimentação com sequenciamento, eletrónica, sintetizadores e vocais, Joel Wells apresentou-nos a sua faixa de estreia “Fictionalise” em Novembro passado e já neste Janeiro avançou com “Harmony”. Ambas produzidas por Toydrum e Tim Goldsworthy dos U.N.K.L.E., um dos heróis de Joel que o ajudou a obter o melhor das suas composições sonoramente, e o encorajou a cultivar-se, e a concentrar-se na sua identidade e na mensagem que quer legar. Joel é um vocalista/compositor londrino que tem a capacidade de evocar alvoroço através da composição.

Nas suas faixas são audíveis pontos de referência musicais discordantes como o synth pop do início dos anos 80, artistas do alt-disco, como é o exemplo de Arthur Russell, LCD Soundsystem ou Arcade Fire, juntamente com elementos da New Wave, como Talking Heads e Depeche Mode. Scott Walker ou John Grant vêm ao nosso pensamento com as performances vocais realizadas por Wells. Artistas que experimentam processos eletrónicos e acústicos, e que são hábeis a criar estruturas alternativas são uma atração óbvia do londrino. E nas suas mutáveis faixas de abertura “Fictionalise” e “Harmony” podemos ouvir motivos synth subtis e uma melodia vocal retumbante. Joel traz-nos algo de extravagante e prodigioso, na medida em que entre o techno dancefloor e alt pop, e a interação do electrónico dócil com os arabescos instrumentais, alcançamos uma lufada de ar fresco. Lufada esta que se transforma numa sátira narrativa negra.