2017 foi um ano em cheio para o arlequim plurifacetado Johnny Jewel. O homem forte por detrás dos Chromatics, Glass Candy e Desire – que não vêem nenhum deles forma de voltar aos discos -, e a mão que conduz o leme exímio que é a sua editora, a Italians Do It Better (IDIB), viu-se profundamente envolvido nos universos paralelos de David Lynch e atravessou as cortinas vermelhas de veludo que vão dar a Twin Peaks.

Jewel fez parte do elenco da terceira temporada da série e assinou boa parte da música que assombrou a pequena cidade saída da mente genial e peculiar do realizador de Blue Velvet e Lost Highway. Windswept foi o disco em que Jewel envolveu as canções de Twin Peaks e ao mesmo tempo as fez coexistir com temas assinados sob os cognomes das suas várias bandas.

Agora, e ainda com o ano a sibilar alvorada, Johnny anuncia já um novo longa-duração de originais e avança também com o primeiro vídeo para um tema retirado desse disco. Digital Rain, que é apenas o terceiro álbum de Jewel a solo, é editado no dia 26 deste mês pela IDIB e é precisamente o tema-título o primeiro vislumbre sonoro do álbum.

Futurista, lunar, espacial e sci-fi, é por entre as cascatas de chuva digital do novo tema de Johnny Jewel que uma mulher se passeia debaixo de um guarda-chuva transparente em que se reflectem os néons de uma noite numa cidade indefinida. Já lá diziam os Metronomy, this isn’t Paris and this isn’t London and it’s not Berlin and it’s not Hong Kong not Tokyo. É uma noite numa cidade que também não é a das ruas de Blade Runner apesar da chuva: é mais um pedaço do mundo muito próprio de Johnny Jewel. Jewel reflecte de forma sublime sobre o álbum:

After living a few years in a desert climate, I realized I was nostalgic for the constant presence of precipitation from every city I once called home. The sound of hail ricocheting off my roof in Houston…. The floods crashing in from the Gulf of Mexico that would destroy my mother’s house three times…. The constant kiss of drizzle on the streets of Portland, and the morning rain against the windshield of Trimet city bus number 15 that I would ride home after recording all night…. The snow buried row houses of Montreal where my daughter was born, and the rhythmic feel of ice cracking under my boots for six months straight.

The desert is constant, and I love this repetitious ritual of Los Angeles so much. As moisture and humid weather seem more and more like a dream I once had or a fading memory of the places I fell in love with…. I wanted to make a record without drums, without lyrics, vague in form. Each track morphing and eclipsing the next like the ever-changing movement of clouds obscuring the moon.

Entretanto, Johnny continua a manter o famigerado sucessor de Kill For Love, o último disco dos Chromatics que data já de 2012, guardado nalguma dimensão paralela, depois de alegadamente ter regravado Dear Tommy na íntegra e ter destruído a versão original.

Digital Rain
01. Digital Rain
02. Black Pyramid
03. The City Of Roses
04. Double Exposure
05. The Runner
06. Air Museum
07. Monsoon
08. Magma
09. What If?
10. The Windscreen
11. Mirror Image
12. Liquid Lucite
13. Aerosol
14. Ship of Theseus
15. La Ville de Neige
16. Seven Corners
17. Cellophane
18. Pulsations
19. Houston

Johnny Jewel - Digital Rain

Johnny Jewel – Digital Rain