Discos assim… não há muitos discos assim. O botão de play é pressionado e, como se estivesse ligado a um ponto interno da fisionomia humana, começa a enrolar-se devagarinho, ganhando o seu espaço natural lá dentro, num lugar seu por direito e de onde, na verdade, nunca saiu. Esticou apenas uma pata e espreitou para ver o estado do mundo do lado de lá da porta por instantes. Só mesmo para ter a certeza que é ali dentro o seu lugar por direito e que é dali que pode contar as histórias do mundo. Os Lanterns On The Lake são uma espécie de felino sábio, de movimentos elegantes, de olhos sagazes e conscientes do seu papel de equilíbrio numa casa. Ao quarto álbum, os britânicos envolvem a realidade num novelo de calor de inverno, de canções refinadas sobre as dores do mundo moderno.

É colocar o gato ao colo e ouvi-lo cantar sobre a extrema-direita, sobre Trump e ditadores, sobre ansiedade, sobre luto, sobre adições. Este gato conta canções improváveis ao rebanho assustado de uma forma mágica… mais uma vez. Os Lanterns precisam de um lugar urgente entre a memória dos Walkabouts e a vanguarda dos Low, o seu espaço natural na discografia humana.

Spook The Herd sai hoje pela Bella Union e pode ser ouvido em cima na totalidade.