Marcus Marr & Chet Faker – Work

73
73

Um ano após o lançamento do seu aclamado primeiro álbum Built On Glass, Chet Faker, projecto do australiano Nicholas Murphy, está de volta com um novo EP. Este resulta da colaboração entre Faker e Marcus Marr e depressa se nota que é um casamento feliz: à vertente electrónica de Chet junta-se a componente dançável do DJ Marcus Marr. Alguns fãs de Chet Faker podem estranhar um pouco este trabalho; aqui não há temas de R&B alternativo como o artista nos tem habituado e estavam presentes no seu primeiro álbum, é composto exclusivamente por temas electrónicos.

“Birthday Card” dá o pontapé de saída e é das melhores maneiras para tal. Ao início, se não se soubesse, dificilmente se associaria a uma música vinda de Chet Faker, tal é o impacto de Marr nesta colaboração: ao juntar-se um beat apelativo e viciante, que consegue sempre acrescentar algo de novo durante grande parte dos sete minutos deste tema, a uma voz singular, este EP começa da melhor maneira.
Mas se a colaboração entre ambos era notória no primeiro tema, no segundo tema, e até agora único single, “The Trouble With Us” torna-se evidente. Neste, os artistas aventuram-se no domínio do Funk, criando assim um tema que não só transborda alegria como dá vontade de começar a dançar, quer se esteja em casa ou a andar de metro. Dos quatro temas que o constituem, é neste em que a colaboração entre os dois artistas mais se destaca, na medida em que à voz carismática de Chet Faker juntam-se os dotes de DJ de Marcus Marr, ao criar ritmos cativantes e que facilmente ficam no ouvido. É uma daquelas músicas que, para além de ser uma diversão de se ver ao vivo, provavelmente será uma das grandes músicas do próximo ano.

Os dois restantes temas “Learning for Your Love” e “Killing Jar” não conseguem ser tão marcantes como os dois anteriores. Apesar de seguirem a temática de “Birthday Card”, e de serem músicas agradáveis, a verdade é que os beats que as constituem tornam-se rapidamente repetitivos e a longevidade de cada uma, seis e sete minutos respectivamente, não ajuda muito. No entanto, não deixam de ser músicas dançáveis, animadas e bem conseguidas.

A colaboração entre Chet Faker e Marcus Marr não é apenas uma surpresa agradável como algo inesperado; permitiu juntar o “útil” de um, ao “agradável” do outro. Ao mesmo tempo, pode representar novos rumos para ambos os artistas: enquanto que afirma o trabalho e as capacidade do DJ Marcus Marr (cujo “The Music” já fora distinguido pela revista Spin como uma das melhores músicas de dança de 2013), pode prever um pouco dos caminhos que o tão aguardado segundo álbum de Chet Faker tomará. Pelo que este EP demonstrou, está a ir por bons caminhos.