Mdou Moctar brotou das areias do deserto do Níger que lhe serviram de berço como um mensageiro das raízes musicais de herança tuareg, um dos povos com pertença geográfica localizada no Norte de África, numa paisagem dominada pelas ondulações contínuas das dunas douradas do Sahara.

Espraiada por diversos países cujas fronteiras, tantas vezes rígidas e indiferentes à identidade da composição humana das suas regiões, não conseguiram quebrar os laços culturais de uma linhagem que, sob a insígnia de nomes como Bombino, Ali Farka Touré, Tirawinen, Tamikrest – cada um com as suas particularidades estilísticas – levou os sons exóticos da filigrana expansiva e da composição nocturna do que se convencionou chamar de desert blues aos quatro cantos do mundo.

Temperada com as especiarias locais de expressão tuareg, takamba e assouf, a música de Mdou Moctar colhe a essência das tradições sonoras do seu povo e reflecte-as em gradações nómadas de tons quentes numa guitarra enrolada que se mescla com elementos contemporâneos como a electrónica – particularmente em Anar, o seu álbum de estreia editado em 2008 que se disseminou mundo fora pela internet via mp3 reproduzidos em cartões de memória e foi um dos trabalhos pioneiros na adaptação de fragmentos da música ocidental à ancestralidade das fundações da África Ocidental.

Mdou Moctar, que editou já quatro álbuns – um deles a banda sonora do filme Rain the Color of Blue with a Little Red in It de 2015 que também protagonizou -, apresenta-se em 2018 ao vivo em Portugal para duas datas em que trará o seu mais recente Sousoume Tamachek, lançado este ano. O nigerino de 31 anos regressa assim a Lisboa e simultaneamente ao Musicbox, onde tocou em 2015, a 20 de Março, sobe ao palco do gnration de Braga, dois dias depois e pelo meio, no dia 21, toca no Salão Brazil em Coimbra. Os bilhetes custam 10€ e estão já à venda em bol.pt.