Nico Jaar não voltou à carga com um novo disco para surpreender, mas para sublinhar que este território de ambientalismo avant-pop é para poucos e que quem manda nisto é ele e mais um par deles. Lento, abstracto mas brandamente incómodo, harmonioso mas disruptivo, negro mas… negro.

Jaar assina pela terceira vez em nome próprio um álbum de originais para os manuais de como sonhar em tons de obscuridade e tristeza… e sair vivo da travessia. Electrónica, experimentalismo, clássico contemporâneo, música concreta e world music encontram-se no salão de não-baile que é a cabeça de Nicolas.

O chileno resume o disco num texto que deixou no seu site. Este é um breve excerto:

I want this music to heal and help in thinking through difficult questions about one’s self, and one’s relationship to the state of things. We are living in a time of complete transformation, a metamorphosis— and the transformations are happening within as well. There is potential for great healing and great destruction.

Cenizas sai pela editora de Nicolas Jaar, a Other People, e pode ser ouvido em cima.