Sim, parece mentira mas é verdade. O rock também serve para dançar e o NOS Alive escolheu o dia 07 de julho para desconversar da linguagem habitual de qualquer palco que seja baptizado com qualquer termo aparentado de Clubbing. Cinco bandas que comunicam através das cordas das guitarras e, sim, vá, um par e mais um de electrónicas só para fazer o gostinho ao dedo mais digital que tivermos. Dando continuidade ao já anunciado alinhamento de dia 08, também ele exclusivamente português mas com um elevado pendor electrónico – excepção feita ao psicadelismo dos Marvel Lima -, o dia 07 segue a viagem pela moderna Lusitânia com um cartaz feito de novos nomes da geração de ouro da cena alternativa português… ou seja, a presente.

Pega Monstro

As irmãs Reis, Júlia e Maria, contaram a história ao contrário. Agarraram nas guitarras mais pegajosas, chamaram alguns monstros e assinaram pela inglesa Upset The Rythm. O disco de estreia das Pega Monstro saiu em 2015 com aromas a punk rock lo-fi e a Alfarroba, o segundo álbum, e entretanto este ano já subiram as escadas para o Andar de Cima. O disco editado a 2 de junho continua com o selo britânico, ao qual se junta a nossa Cafetra Records a dividir as responsabilidades por este manual de velocidade e noise envolto em fuzz e uma impressão digital vincadamente portuguesa. Um disco que vive e se sente entre as noites no Soho londrino e o nascer do sol nas ruas do Cais do Sodré a comer um caldo-verde… de ressaca e barulhento, claro.

Cave Story

Do caldo-verde para a vertente mais West das Caldas da Rainha e dos Cave Story não vai nem um palco de distância. Rock puro e simples escrito com os olhos no college norte-americano, na inspiração sorvida do legado dos Pavement, de algum post-punk mais noisy e da vontade de fazer ruído branco. O EP de estreia Spider Tracks de 2014 deixou antever os caminhos mais poeirentos entre as Caldas e os clubes de rock dos States e West, editado em 2016 pela Lovers And Lollypops, confirmou a banda de Gonçalo Formiga, Pedro Zina e Ricardo Mendes como um dos nomes maiores da nova vaga indie nacional.

Killimanjaro

E falando em nomes maiores, maior que o Killimanjaro não há… pelo menos em África e no que toca a montanhas. Em Portugal, o trio de Barcelos também encontra poucos rivais na imensidão e no peso das guitarras. Lançado também em 2016, Shroud deu continuidade a Hook e ao disco de estreia Killimanjaro nos dialectos do psych, do blues e de um heavy rock feito como poucos. Se o rock também se dança, o peso não impede o corpo e impele para o movimento.

Bispo & Modernos

Se partissem os Capitão Fausto ao meio, o que acontecia? O que já aconteceu sem dividir o colectivo em dois. Os Bispo e os Modernos estão também confirmados para a dança das guitarras do NOS Alive e do Clubbing em tons de rock do dia 07. Por um lado, os Bispo quase enganam com uma abordagem ao fantástico mundo de Georgio Moroder e dos Kraftwerk lidos através de um livrinho de instruções de um Casio. Pensem nos Daft Punk em versão midi e lo-fi e é mais ou menos por aí. A outra metade, que encontra em Manuel Palha o único faustino desdobrável, está em pleno do outro lado do espelho. Os Modernos são crus, são directos, a bateria é real, as guitarras são a base de tudo. Melodias simples, com o psicadelismo da casa-mãe reduzido aos mínimos e com o lado mais garage a chegar-se a frente.

Pista

Não é elemento essencial para dançar mas o termo pista será um dos mais evidentes no que toca ao universo das danças. E como tal, os Pista são essenciais na tarde do dia 07 ali para os lados de Algés. Apenas um disco – Bamboleio – em 2015 mas um saco de praia cheio de concertos um pouco por todo o lado. Punks tropicais provenientes do Barreiro, cheios de ginga e uma vontade insana de fazer a festa.

Quando a noite cair ali ao pé do Tejo, as guitarras são chutadas para canto e a electrónica toma conta do Clubbing. Duas duplas de peso da noite asseguram que as horas se estendem madrugada dentro. BANDIDO$ e o encontro entre Mr Mitsuhirato e Pedro Ramos, homem forte da rádio, responsável da programação da Radar e o organizador das noite Black Balloon no Lux Frágil.

Estão já confirmados para o Palco NOS Clubbing, Trikk, “10COTEXAS” The Discotexas Band (Moullinex, Xinobi, Da Chick), Switchdance, Mike El Nite, Marvel Lima, Mr. Herbert Quain, GPU Panic e Ghost Wavvves. Todos sob a curadoria da Match Attack.